09/07/2014

Numerologia e Personalidade - Introdução

Reproduzo abaixo a introdução do primeiro volume do Curso Básico de Numerologia, dedicado à análise da personalidade através do nome.

Faz vinte e nove anos, exatamente, que eu comecei um relacionamento de vida inteira com a numerologia. Aos quinze anos tive o primeiro contato com esse sistema esotérico de autoconhecimento, e fui imediatamente fisgado por sua combinação de simplicidade e profundidade. Logo eu, que nos tempos de escola volta e meia via minhas notas de matemática rolando ribanceira abaixo. Justo eu, que sempre fui cético por natureza. O fato é que comecei a estudar a numerologia movido, primeiramente, por uma curiosidade ligeiramente debochada de adolescente rebelde. Contudo, meus questionamentos me levaram a respostas, e essas respostas me levaram a novas perguntas — e as respostas e sugestões que a numerologia me oferece costumam ser satisfatórias.

Naturalmente, é preciso ajustar nossa “moldura mental”, que geralmente tende a oscilar entre o cartesianismo e a superstição. Para extrairmos da numerologia o que ela tem de melhor, é fundamental não encará-la com olhos frios de quem busca explicações racionais e científicas, e nem com os olhos úmidos do fanático que acredita no que deseja acreditar, ou naquilo que teme.

A numerologia requer um ponto de vista afinado com o conceito de sincronicidade, que foi cunhado pelo psicólogo suíço Carl Jung. Sintetizar um conceito tão profundo e elaborado é missão quase impossível, mas mesmo correndo o risco de ser superficial, é importante plantar as raízes desse conceito na mente dos leitores que talvez não o conheçam, pois sem assimilar o conceito de sincronicidade não é possível lidar com a numerologia (e nem com nenhum conhecimento esotérico) de modo saudável.

De acordo com a teoria de Jung, tudo no universo está interligado por um tipo de vibração, e a sincronicidade pode ser definida como uma coincidência significativa entre eventos físicos e psíquicos — uma espécie de “liga” entre eventos que se distingue da coincidência vulgar por ter significado, por implicar ou refletir ou sugerir alguma coisa.

Além da sincronicidade, a numerologia é feita de simbolismo, mais especificamente de simbolismo dos números. Os números são conhecidos de todos como ferramentas organizacionais. Lidamos com números todos os dias, seja nas ciências, nas artes ou no entretenimento. Mas poucos se dão conta do valor simbólico dos números, da linguagem que eles carregam, da mensagem que eles transmitem.

Eu não saberia dizer exatamente o que faz a numerologia funcionar. Mas posso afirmar que a numerologia não vai operar nada em sua vida de forma mágica ou sobrenatural. Não adianta nada mudar de nome, não adianta tentar usar a numerologia para acertar os números da loteria, não adianta procurar nos números um destino imutável já traçado. E afirmo, por experiência própria, que ela funciona para o que se propõe.

E a que se propõe a numerologia?

Autoconhecimento. Reflexão. Aconselhamento. Estimular a intuição e a meditação. Se o estudo da numerologia conseguir ao menos um dos objetivos citados, sua existência estará justificada.

Este é o primeiro volume de uma série de cinco, cada livro abordando um tema específico à luz da numerologia. Neste livro abordaremos a PERSONALIDADE humana e suas nuances. O próximo volume será dedicado à análise do DESTINO individual, enquanto no terceiro serão apresentadas técnicas de PREVISÕES. O quarto livro da série terá por tema TRABALHO e técnicas de orientação profissional. O quinto livro fala sobre AMOR e como comparar mapas de indivíduos que formam um casal.






08/07/2014

O jogo das onze cartas

Apesar de "O Tarô de Thoth", em sua edição original, ter sido um livro importante por ocupar a lacuna então vaga de texto de autor brasileiro voltado exclusivamente para o tarô criado por Aleister Crowley e Frieda Harris, havia algumas falhas e faltas que foram corrigidas e supridas para a atual edição. Uma delas era o fato de os métodos de leitura dos arcanos não contarem com exemplos detalhados. Na atual edição do livro, são apresentados exemplos de leitura para cada método. Reproduzo abaixo um deles, o Jogo das Onze Cartas, método criado por mim a partir dos valores simbólicos dos números. Cada casa onde pousam as cartas está relacionada ao simbolismo de um dos principais números (0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 11).


O JOGO DAS ONZE CARTAS
Este jogo é baseado na numerologia. Tire onze ou vinte e duas cartas (como sempre, onze para Arcanos Maiores e Arcanos Menores misturados; e vinte e duas para arcanos separados em dois grupos de onze), e interprete-as de acordo com a posição que ocupam.
Neste jogo também não se fazem perguntas, pois cada posição representa uma área da vida da pessoa, fazendo um diagnóstico geral de sua situação presente e do futuro próximo.
Posição 0 — Futuro próximo.
Posição 1 — O consulente, o ego, a situação presente. 

Posição 2 – A vida amorosa.
Posição 3 – Comunicação, criatividade, amigos. 

Posição 4 – Segurança e/ou obstáculos.
Posição 5 – Mudanças, prazeres e diversões.
Posição 6 — Família, sociedade, diplomacia.
Posição 7 — Estudos, alma, religião, conhecimento. 

Posição 8 — Dinheiro, karma, leis.
Posição 9 — Resultado final, síntese. 
Posição 10 – Conselho final.


Exemplo

Pergunta: Quais as minhas chances de passar no concurso?


Arcanos: 2 de Espadas (futuro próximo); 6 de Paus (consulente); 10 de Ouros (amor); 3 de Paus (criatividade); A Lua (obstáculos e segurança); O Pendurado (mudanças e prazeres); 6 de Espadas (família e sociedade); Rainha de Paus (estudos, alma); Princesa de Ouros (dinheiro, leis); 3 de Ouros (síntese); 9 de Copas (conselho final).


Interpretação: O futuro próximo será um momento de reflexão vinda de uma situação de isolamento. A pessoa se encontra em momento de grande criatividade e entusiasmo, certa da vitória, plena de autoconfiança. A vida amorosa parece ofuscada por questões profissionais e pessoais, mas não há mágoa nem tristeza nesse processo. A criatividade e a comunicabilidade do consulente estão a pleno vapor, como já foi indicado antes pelo arcano da posição 0.

A posição da segurança e dos obstáculos traz o arcano A Lua, que representa o extremo oposto da segurança. O momento é de insegurança, incerteza, dúvida, questionamento. Mas é uma situação- chave na vida da pessoa, portanto a superação dos terrores representados por este sinistro arcano é o passe para subir de nível, ou seja: ser iniciado(a).
O Pendurado na posição 5 confirma: não é hora de perfumarias e nem de grandes mudanças. Fique onde está e não tente forçar nada, é inútil e desgastante. Aproveite para ver as coisas por um ponto de vista diferente.
A família e a sociedade, representados aqui pela posição 6, estão ocupados pelo arcano Seis de Espadas, a melhor emanação do problemático naipe de Espadas. A pessoa estará sendo valorizada por seu sucesso após longo período de estagnação e retrocesso.
A espiritualidade é atributo do número sete, e da sétima posição desta modalidade de leitura. A Rainha de Paus é uma das maiores representações de honra e superação espiritual do baralho de tarô, apesar de seu potencial latente de autoritarismo e intolerância, que deve sempre ser observado e canalizado.
A Princesa de Ouros representa crescimento, produtividade, desenvolvimento, o que se encaixa maravilhosamente bem com a posição da matéria e da justiça.
O Três de Ouros sintetiza a situação: progresso. Mas não nade para morrer na praia, não interrompa o que já começou.
O conselho final do Nove de Copas é inequívoco: tenha compaixão e aproveite a boa sorte. Não ser piegas não significa ser frio. 

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06/07/2014

O TARÔ DE THOTH - versão 2014 - JÁ À VENDA



Last but not least: Já está à venda a versão revista e aumentada de O TARÔ DE THOTH. Por enquanto, só em versão física. Uma dica: essa versão é infinitamente superior à de 2000. Quem ler, verá.



Já está à venda o primeiro volume do CURSO BÁSICO DE NUMEROLOGIA

Quer aprender numerologia partindo do básico? Então os 5 volumes do Curso Básico de Numerologia são para você. O primeiro volume da coleção já está à venda em versão e-book para Kindle, mas quem preferir a versão física (brochura) poderá comprar a partir de sexta-feira no site da Amazon. Entrega para o mundo inteiro.

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05/07/2014

O Tarô de Thoth - Versão revista e aumentada



Dentro de alguns dias estará à venda a versão revisada e aumentada de "O TARÔ DE THOTH - Um Guia Para O Oráculo Do Novo Éon Projetado Por Aleister Crowley". Mais bem escrita, atualizada de acordo com a Nova Ortografia e com pesquisas recentes sobre as origens do tarô, esta versão de "O TARÔ DE THOTH" conta com algumas ilustrações e tem os aspectos positivos e negativos dos arcanos menores especificados com mais clareza. Além disso, os métodos de leitura das cartas agora vêm com exemplos detalhados para inspirar as interpretações dos leitores. O espírito do livro continua o mesmo da edição original de 2000 que esgotou sete edições pela extinta editora Nova Era, mas todo o texto foi reescrito.


O livro estará à venda para o todo o planeta, ou melhor, para qualquer ponto que alcancem os tentáculos da Amazon, tanto em versão física (brochura) quanto em versão e-book. Em breve será divulgado por aqui o link para você encomendar sua cópia.

02/07/2014

Pensando sobre a numerologia ao rever meu Gráfico da Vida



Tem gente que acha que esse negócio de numerologia é besteira da minha cabeça. Mas quando minha mãe morreu (certamente a morte que mais senti até hoje), havia uma conjunção de números 13 no Gráfico da Vida do meu mapa numerológico natal. O número 13 representa não só a morte, que é uma consequência inevitável da vida, mas uma morte súbita, repentina, inesperada, e foi exatamente assim que ela se foi. Além disso, nunca fui de quebrar ossos nem sofrer luxações, nada disso, a vida inteira. Mas durante o período em que tive conjunções de letras E, que indicam propensão a acidentes e fraturas, caí sobre o mesmo joelho três vezes, e quebrei um pé. E tem mais: a primeira vez que tive um ciclo de letra O na coluna da vida pessoal, que indica um acontecimento afetivo relevante, foi quando casei. Os exemplos são vários, não só no meu mapa, mas nos tantos mapas que venho analisando faz quase trinta anos. Bem, eu não sei exatamente como explicar o funcionamento da sincronicidade sobre a qual se baseia a numerologia. Mas que existe um funcionamento, algum mecanismo, uma espécie de estrutura, um FATO, ah, existe.

23/05/2014

Felicidade, Amor de Casados, Artistas, Marrons Glacés e outros tópicos intrigantes na visão de Aleister Crowley


A palavra “eterno” e o termo “para sempre” são usados de maneira muito equivocada. Quando uma pessoa diz que quer “felicidade eterna”, está se referindo a um ciclo de eventos variados e sempre capazes de estimular emoções agradáveis, i. e., as pessoas querem que o tempo continue exatamente como ele se lhes apresenta quando elas estão livres das contingências de acidentes como a pobreza, a doença e a morte. Contudo, é possível a experiência de um estado eterno, caso o termo seja interpretado com sabedoria. Pode-se acender a “flamman aeternae caritatis”, por exemplo; pode-se experimentar um amor de fato eterno. Esse amor não pode ter relação alguma com fenômenos condicionados ao tempo. Da mesma forma, a “alma imortal” de uma pessoa é algo totalmente diverso de suas vestes mortais. Essa Alma é uma Estrela específica, com qualidades peculiares, é claro; mas são todas qualidades “eternas”, e fazem parte da natureza da alma. Sendo essa alma uma consciência monística, não pode apreciar a si mesma e suas próprias qualidades, como previamente explicado; de modo que ela percebe a si mesma pelo estratagema da dualidade, com as limitações de tempo, espaço e causalidade. A “Felicidade” do Amor de Casados e de comer marrons glacés é a expressão concreta, externa e não-eterna da idéia abstrata interna correspondente, assim como qualquer triângulo é uma imagem imperfeita e parcial da idéia de um triângulo. (Não vem ao caso se consideramos o “Triângulo” uma coisa irreal, inventada por conveniência para incluir todos os triângulos reais, ou vice-versa. Uma vez que surge a idéia do Triângulo, os triângulos reais se ligam à ideia, como dito acima.)
A pessoa não deseja sequer uma extensão comparativamente breve desses estados “reais”. O Amor de Casados, ainda que autorizado por toda a existência, costuma ficar intolerável depois de um mês; e marrons glacés ficam enjoativos após o consumo do quinto ou sexto quilo. Mas a “Felicidade”, eterna e informe, não fica menos agradável quando essas formas de felicidade deixam de dar prazer. O que acontece é que a Ideia deixa de encontrar sua imagem naquelas imagens específicas; ela começa a perceber as limitações — que não são a Ideia e inclusive negam a Ideia — tão logo se esvai sua alegria original por conseguir alcançar a autoconsciência. A Ideia ganha consciência da imperfeição externa dos marrons glacês; eles deixam de representar sua natureza infinitamente variada. E assim a Ideia os rejeita, e cria uma nova forma de si mesma, como Camisolas com fitas de tom amarelo claro, ou cigarros de tabaco Amber Leaf.
Da mesma forma, um poeta ou um pintor que deseja expressar a Beleza se sente impelido a escolher uma forma específica; a qual, com sorte, consegue gratificá-lo de início; mas cedo ou tarde ele descobre que deixou de incluir certos elementos de si mesmo, e deve então expressá-los em outro poema ou outra pintura. Ele talvez saiba que nunca poderá fazer mais do que apresentar uma parte da possível perfeição, e ainda assim através de uma imagística imperfeita, mas poderá ao menos expressar seu máximo dentro dos limites dos instrumentos mentais e sensoriais de seu também inadequado símbolo do Absoluto, seu veículo de encarnação humana.
Estas formas sofrem do mesmo defeito das outras; em última instância, a “Felicidade” se desgasta no esforço de inventar imagens novas, e fica desencorajada e insegura. Poucos têm sagacidade suficiente para passar direto pela generalização a partir do fracasso de algumas imagens de si mesmos, e reconhecer que todas as formas “reais” são imperfeitas; mas tais indivíduos costumam rejeitar todo o procedimento, enojados, e ansiar pelo estado “eterno”. Mas, como já sabemos, trata-se de um estado incapaz de compreensão; e a Alma, ao entender isto, só vê razão para a “Cessação” de todas as coisas; suas criações não estão mais acima de suas próprias tendências a criar. E assim a Alma suspira pelo Nirvana. 

(...)

Eis o segredo da Alma do Artista. Ele sabe que é um Deus, dos Filhos de Deus; ele não tem medo ou vergonha de se mostrar digno da semente de seu Pai. Ele tem orgulho do mais precioso privilégio desse Pai, e o honra, bem como a si mesmo, ao usá-lo. Ele aceita sua família como de sua própria estirpe real; todos são tão principescos quanto ele próprio. Mas ele não seria filho de seu Pai se não tivesse descoberto para si uma Forma adequada para se expressar através de múltiplas reproduções de sua Imagem. Ele deve admirar a si próprio em muitos trajes, todos enfatizando determinada elegância ou excelência em si mesmo que, de outra forma, eludiriam sua  deferência se escondidas e abafadas na harmonia de seu coração. Esta Forma a servi-lo deve lhe parecer a suavidade personificada; com a exata elasticidade para se adaptar às saliências mais fortes e mais sutis notáveis, mas sendo como o aço que resiste a toda pressão que não venha de si mesmo, e para reter e reproduzir com precisão a imagem que seu ácido agarra com os dentes em sua superfície. Não pode haver erro, nem irregularidade, nem granulação, nem distorção em sua substância; ela deve ser brilhante e clara, puro metal de boa qualidade.  
E ele deve amar sua Forma escolhida, amá-la com temeroso fervor; ela é a face de seu Destino que anseia por seu beijo, e seus olhos ardem e flamejam com Enigma; ela é a sua morte, seu corpo é o caixão onde ele apodrecerá e federá, ou se contorcerá em sonhos amaldiçoados, auto-escravizado, ou de onde se erguerá em auto-renovada incorruptibilidade, imortal e igual, preenchendo a si próprio com e por ela, borrifando estrelas cintilantes por todo o espaço, seus filhos e filhas, cada estrela uma imagem de sua própria infinitude tornada manifesta, índole após índole, pela magia da Forma, para moldá-lo quando sua paixão vier a derreter seu metal.
Assim, então, deve trabalhar todo Artista. Primeiro, ele deve encontrar a si mesmo. Depois, deve encontrar a forma adequada para se expressar. Então ele deve amar essa forma como forma, adorando-a, entendendo-a, e dominando-a, com a mais meticulosa atenção, até que ela (aparentemente) se adapte a ele com grande elasticidade, e responda apurada e pertinentemente, com o automatismo inconsciente de um órgão aperfeiçoado pela evolução, à sua mais sutil sugestão, e ao seu gesto mais gigantesco. 
Em seguida, ele deve se entregar por completo a essa Forma, ele tem que se aniquilar totalmente em todo ato de amor, trabalhando dia e noite para perder-se no êxtase do ato, de modo a não deixar um só átomo não-consumido na fornalha de sua fúria, como há tanto fizera o Pai que o criou. Ele deve se perceber por inteiro na integração do infinito Panteão de imagens; pois se ele falhar em formular uma faceta de si, esta perda o levará a um falso conhecimento de si.
É claro que não há diferença prática entre o artista como aqui delineado e aquele que segue o “Caminho do Tao”, ainda que o último encontre a perfeição em sua relação existente com seu meio-ambiente, e o primeiro crie uma perfeição privada de caráter peculiar e secundário. Nós devemos chamar um de filho do Absoluto, e o outro de filha.
Mas o Artista, apesar de seu Trabalho — as imagens de si mesmo na Forma que ele ama — ser menos perfeito do que o Trabalho de seu Pai, pois ele só pode expressar um ponto de vista particular, e através de um tipo de técnica, não deve ser considerado inútil por isto, da mesma forma que um Atlas não é inútil apenas por apresentar uma fração dos fatos da geografia por meio de certas convenções grosseiras.
O Artista distrai nossa atenção da Natureza, cuja imensidão nos atordoa de forma que ela parece incoerente e ininteligível para sua interpretação de si mesmo, e suas relações com vários fenômenos da natureza expressos em uma linguagem mais ou menos comum a todos nós.  
Quanto menor o artista, e quanto mais estreita sua visão, e quanto mais vulgar seu vocabulário, e quanto mais banais suas imagens; mais facilmente ele será reconhecido como líder. Para ser aceito e admirado, ele terá de dizer exaustivamente aquilo que todos sabemos, mas não dizemos, e deverá dizê-lo de forma simples e em linguagem clara, com um pouco mais de ênfase e eloquência do que estamos acostumados a ouvir; e deverá nos agradar e nos lisonjear com o que diz, procurando aplacar nossos medos e estimular nossas esperanças e nossa auto-estima. Quando um Artista — seja em astronomia como Copérnico, em antropologia como Ibsen, ou em anatomia como Darwin — reúne um conjunto de fatos grande demais, recôndito demais ou “lamentável” demais para receber aquiescência imediata de todos; quando ele apresenta conclusões que vão de encontro à crença ou ao preconceito do povo; quando ele emprega uma linguagem que não é de conhecimento geral — nesses casos ele deve se dar por satisfeito em falar para poucos. Ele deve aguardar o momento em que o mundo venha a despertar para o valor de seu trabalho. Quanto maior ele for, mais individual e menos compreensível parecerá ser, ainda que na realidade seja mais universal e mais simples do que qualquer um. Ele deve ser indiferente a qualquer coisa que não seja sua própria integridade na realização e na imaginação de si mesmo.


* *******

There is great confusion of thought in the use of the word "eternal," and the phrase "for ever." People who want "eternal happiness" mean by that a cycle of varying events all effective in stimulating pleasant sensations; i.e., they want time to continue exactly as it does with themselves released from the contingencies of accidents such as poverty, sickness and death. An eternal state is however a possible experience, if one interprets the term sensibly. One can kindle "flamman aeternae caritatis"," for instance; one can experience a love which is in truth eternal. Such love must have no relation with phenomena whose condition is time. Similarly, one's "immortal soul" is a different kind of thing altogether from one's mortal vesture. This Soul is a particular Star, with its own peculiar qualities, of course; but these qualities are all "eternal," and part of the nature of the Soul. This Soul being a monistic consciousness, it is unable to appreciate itself and its qualities, as explained in a previous entry; so it realizes itself by the device of duality, with the limitations of time, space and causality. The "Happiness" of Wedded Love or eating Marrons Glaces is a concrete external non-eternal expression of the corresponding abstract internal eternal idea, just as any triangle is one partial and imperfect picture of the idea of a triangle. (It does not matter whether we consider "Triangle" as an unreal thing invented for the convenience of including all actual triangles, or vice versa. Once the idea Triangle has arisen, actual triangles are related to it as above stated).
One does not want even a comparatively brief extension of these "actual" states; Wedded Love though licensed for a lifetime, is usually intolerable after a month; and Marrons Glaces pall after the first five or six kilogrammes have been consumed. But the "Happiness," eternal and formless, is not less enjoyable because these forms of it cease to give pleasure. What happens is that the Idea ceases to find its image in those particular images; it begins to notice the limitations, which are not itself and indeed deny itself, as soon as its original joy in its success at having become conscious of itself wears off. It becomes aware of the external imperfection of Marrons Glaces; they no longer represent its infinitely varied nature. It therefore rejects them, and creates a new form of itself, such as Nightgowns with pale yellow ribbons or Amber Cigarettes.
In the same way a poet or painter, wishing to express Beauty, is impelled to choose a particular form; with luck, this is at first able to recompense in him what he feels; but sooner or later he finds that he has failed to include certain elements of himself, and he must needs embody these in a new poem or picture. He may know that he can never do more than present a part of the possible perfection, and that in imperfect imagery; but at least he may utter his utmost within the limits of the mental and sensory instruments of his similarly inadequate symbol of the Absolute, his vehicle of human incarnation.
These suffer from the same defects as the other forms; ultimately, "Happiness" wearies itself in the effort to invent fresh images, and becomes disheartened and doubtful of itself. Only a few people have wit enough to proceed to generalization from the failure of a few familiar figures of itself, and recognize that all "actual" forms are imperfect; but such people are apt to turn with disgust from the whole procedure, and to long for the "eternal" state. This state is however incapable of realization, as we know; and the Soul understanding this, can find no good but in "Cessation" of all things, its creations no more than its own tendencies to create. It therefore sighs for Nibbana.

(...)

Such is the secret of the Soul of the Artist. He knows that he is a God, of the Sons of God; he has no fear or shame in showing himself of the seed of his Father. He is proud of that Father's most precious privilege, and he honours him no less than himself by using it. He accepts his family as of his own royal stock; every one is as princely as he is himself. But he were not his Father's son unless he found for himself a Form fit to express himself by multiplex reproductions of his Image. He must admire himself in many costumes, each emphatic of some elected elegance or excellence in himself which would otherwise elude his homage by being hidden and hushed in the harmony of his heart. This Form which shall serve him must be softness' self to his impress, with exact elasticity adapting itself to the strongest and subtlest salients, yet like steel to resist all other stress than his own, and to retain and reproduce surely and sharply the image that his acid bites into its surface. There must be no flaw, no irregularity, no granulation, no warp in its substance; it must be smooth and shining, pure metal of true temper.
And he must love this chosen Form, love it with fearful fervour; it is the face of his Fate that craves his kiss, and in her eyes Enigma blazes and smoulders; she is his death, her body his coffin where he may rot and stink, or writhe in damned dreams, self-slain, or rise in incorruption self-renewed, immortal and identical, fulfilling himself wholly in and by her, splashing all space with sparkling stars his sons and daughters, each star an image of his own infinity made manifest, mood after mood, by her magick to mould him when his passion makes molten her metal.
Thus then must every Artist work. First, he must find himself. Next, he must find the form that is fitted to express himself. Next, he must love that form, as a form, adoring it, understanding it, and mastering it, with most minute attention, until it (as it seems) adapts itself to him with eager elasticity, and answers accurately and aptly, with the unconscious automatism of an organ perfected by evolution, to his most subtlest suggestion, to his most giant gesture.
Next, he must give himself utterly up to that Form; he must annihilate himself absolutely in every act of love, labouring day and night to lose himself in lust for it, so that he leave no atom unconsumed in the furnace of their frenzy, as did of old his Father that begat him. He must realize himself wholly in the integration of the infinite Pantheon of images; for if he fail to formulate one facet of himself, by lack thereof will he know himself falsely.
There is of course no ultimate difference between the Artist as here delineated and him who follows the "Way of the Tao", though the latter finds perfection in his existing relation with his environment, and the former creates a private perfection of a peculiar and secondary character. We might call one the son, the other the daughter, of the Absolute.
But the Artist, though his Work, the images of himself in the Form that he loves, is less perfect than the Work of his Father, since he can but express one particular point of view and that by means of one type of technique, is not to be thought useless on that account, any more than an Atlas is useless because it presents by means of certain crude conventions a fraction of the facts of geography.
The Artist calls our attention away from Nature, whose immensity bewilders us so that she seems incoherent, and unintelligible, to his own interpretation of himself, and his relations with various phenomena of nature expressed in a language more or less common to us all.
The smaller the Artist, the narrower his view, the more vulgar his vocabulary, the more familiar his figures, the more readily is he recognized as a guide. To be accepted and admired, he must say what we all know, but have not told each other till it is tedious, and say it in simple and clear language, a little more emphatically and eloquently than we have been accustomed to hear; and he must please and flatter us in the telling by soothing our fears and stimulating our hopes and our self-esteem.
When an Artist — whether in Astronomy, like Copernicus, Anthropology, like Ibsen, or Anatomy, like Darwin — selects a set of facts too large, too recondite, or too "regrettable" to receive instant assent from everybody; when he presents conclusions which conflict with popular credence or prejudice; when he employs a language which is not generally intelligible to all; in such cases he must be content to appeal to the few. He must wait for the world to awake to the value of his work.
The greater he is, the more individual and the less intelligible he will appear to be, although in reality he is more universal and more simple than anybody. He must be indifferent to anything but his own integrity in the realization and imagination of himself.

The Law Is For All, Aleister Crowley (New Falcon Publications)
Tradução: Johann Heyss

20/04/2014

Acausalidade, esoterismo e essência



Consideremos o mapa astrológico e o mapa numerológico. Muitos acham que as pessoas são influenciadas por eles. Pensam que programar uma operação cesariana para este em vez daquele dia garantiria tais e tais vibrações (leia-se influências) para o bebê. Como se a data e o horário de nascimento de uma criança pudessem de fato ser programados. Como se o bebê não pudesse antecipar o nascimento, com ou sem cesariana, e sobrevivendo ele (o feto) ou não, de acordo com sua própria vontade. Como se a mãe não pudesse acabar abortando, voluntária ou involuntariamente. Ou seja, não vamos nos iludir: não é possível programar de verdade a hora e o dia de nascimento de uma criança. Porque certos eventos, como a vida e (certos tipos de) morte pertencem a uma ordem (ou a um caos) maior do que a gente. E quando digo maior, não estou falando de "Deus", ao menos não necessariamente. Estou falando de algo que está além do domínio humano: a vida e a morte.

Ao enfatizar isto, quero apontar que o que está além do domínio humano, ou seja, além da matéria, não está baseado nas leis da causalidade, da causa e efeito, do raciocínio cartesiano, e sim no conceito da acausalidade, que só pode ser compreendido à luz da teoria da sincronicidade, desenvolvida pelo psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung. De acordo com a teoria da sincronicidade, os acontecimentos não estariam ligados apenas por relação causal, mas também por relação acausal, ou seja, por relação de significado. Outra maneira de se definir a sincronicidade seria como "coincidências significativas". A função da ciência cartesiana, que se baseia no princípio de causa e efeito, é alargar cada vez mais os horizontes do desconhecido, e dominá-lo. Até o momento, a ciência cartesiana não domina o maior mistério da humanidade — o mistério da vida e da morte. No dia em que isto acontecer, se isto acontecer, haverá uma mudança de paradigma, tudo terá de ser repensado e reavaliado à luz das reverberações de tal evento. Mas, enquanto isto não acontece, temos este mistério, esta twilight zone inexplicável. A teoria da sincronicidade — e agora estou falando por mim, da minha percepção sobre o assunto — busca exatamente transitar e decifrar esse terreno que a ciência tradicional não alcança. A sincronicidade é uma tese que busca respostas através de métodos e estratégias totalmente diferentes daqueles da ciência cartesiana — métodos talvez inaceitáveis para a ciência cartesiana — justamente por perceber que a ciência tradicional cartesiana não consegue alcançar uma resposta através de seus métodos típicos. Por isso, as críticas racionalistas ao pensamento acausal são críticas vazias — é a mesma coisa que "acusar" uma laranja de ser cítrica. Desqualificar o pensamento acausal por não se adequar ao pensamento causal é uma crítica vazia e arrogante, por considerar que apenas os métodos da ciência causal seriam válidos. Nunca é demais lembrar que os antigos alquimistas e astrólogos já falavam "assim em cima como embaixo", e já diziam que pequenos seres caminham por nossa pele muito antes de se pensar em inventar o microscópio. E não estou minimizando a ciência, em absoluto. A ciência é uma coisa maravilhosa, admirável, impescindível. Sem ciência eu não estaria digitando agora em um teclado de computador, e não estaria compartilhando este texto com o mundo inteiro daqui a alguns minutos. Viva a ciência. Mas não sejamos fanáticos. A ciência, fosse ela um ser com vontade e forma própria, certamente não gostaria de ser associada a fanáticos, logo ela, a Dona Ciência, que tantas vezes foi e continua sendo queimada na fogueira justamente (injustamente) por eles mesmos, os fanáticos.

Então estamos combinados que a numerologia e a astrologia não estão submetidas às regras da causa e efeito, e sim às regras da acausalidade como previstas pela teoria da sincronicidade. Isto explica por que a pessoa não é como é porque tem tal mapa astral e/ou tal mapa numerológico. A pessoa só tem esses mapas porque ela é assim. A posição dos astros e a posição dos números não influencia em nada o que as pessoas são (e, por consequência, o que elas fazem). Os astros e os números na verdade REFLETEM as pessoas. Não existe uma relação CAUSAL entre os astros e números e as pessoas. A relação é de ACAUSALIDADE, não de causalidade.

O que leva a outra questão. Se entendemos que os astros e os números não influenciam as pessoas, mas sim as refletem, a essência das pessoas não se formaria a partir de aspectos externos, do ambiente, e sim existiria por si mesma, desde um suposto estado de pré-existência, e ao ser confrontada com fatores ambientais e circunstanciais, reagiria a partir de sua essência pré-existente — que podemos chamar de alma. Na numerologia isso se reflete na separação dos cálculos feitos a partir do nome — que refletem a personalidade do indivíduo — e os cálculos feitos a partir da data de nascimento — que refletem a maneira como a pessoa reage aos eventos externos, além de apontar que tipo de eventos externos a pessoa em questão atrai para si.

Sendo assim, não seria correto entender que a sincronicidade e o princípio da acausalidade implicam a existência de uma inteligência incorpórea e autônoma que alguns chamam de acaso, mas que pode ser entendida como um princípio essencial espontâneo? Não é esse princípio essencial espontâneo que as técnicas esotéricas investigam? E sendo esse princípio essencial espontâneo, a ideia sartriana de que a existência precede a essência não seria incompatível? 

05/03/2014

Sobre artes e artistas

“Quanto menor o artista, e quanto mais estreita sua visão, e quanto mais vulgar seu vocabulário, e quanto mais banais suas imagens; mais facilmente ele é reconhecido como líder. Para ser aceito e admirado, ele precisa dizer o que todos nós sabemos, mas não nos dizemos, até cansar, e deve dizê-lo de forma simples e em linguagem clara, com um pouco mais de ênfase e eloquência do que estamos acostumados a ouvir; e ele deve nos agradar e nos lisonjear com o que diz, procurando aplacar nossos medos e estimular nossas esperanças e nossa autoestima. Quando um Artista — seja em astronomia como Copérnico, em antropologia como Ibsen, ou em anatomia como Darwin — reúne um conjunto de fatos grande demais, recôndito demais ou “lamentável” demais para receber aquiescência imediata de todos; quando ele apresenta conclusões que vão de encontro à crença ou ao preconceito do povo; quando emprega uma linguagem que não é de conhecimento geral — nesses casos ele deve se dar por satisfeito em falar para poucos. Ele deve aguardar o momento em que o mundo venha a despertar para o valor de seu trabalho. Quanto maior ele for, mais individual e menos compreensível parecerá ser, ainda que na realidade seja mais universal e mais simples do que qualquer um. Ele deve ser indiferente a qualquer coisa alheia a sua própria integridade na realização e imaginação de si mesmo.”


ALEISTER CROWLEY
(trad. Johann Heyss)

28/11/2013

O mapa numerológico natal completo de Madonna

Em O livro dos números apresento o mapa numerológico completo e os trânsitos da popstar Madonna, os quais reproduzo atualizados neste post. Na época em que o livro foi escrito, eu não tive acesso a uma importante informação: o nome completo original de Madonna, o nome de registro, é Madonna Louise Ciccone. Contudo, quando ela passou pela cerimônia de confirmação de batismo na Igreja Católica (um ritual pouco comum e em desuso atualmente), ganhou mais um nome, Veronica, e passou a se chamar Madonna Louise Veronica Ciccone. Como a numerologia trabalha sempre com o nome original de registro da pessoa, foi descartado o nome Veronica. Sendo assim, o mapa que está no livro está incorreto, e aqui está a retificação. Vamos primeiro aos cálculos, e em seguida à interpretação.

nome completo  MADONNA LOUISE CICCONE
data de nascimento  16.8.1958

A personalidade:
interior 51/6     desafio 4
exterior 36/9     desafio 1
síntese 87/15/6    desafio 5
livre-arbítrio 26/8      desafio 3
          2o. livre arbítrio 27/9
essência 6          equilíbrio 10/1
dharma 2069/17/8    karma 2136/12/3

Arquétipos do nome:
gráfico do nome
um: 3  / dois: - / três: 5
quatro: 2 / cinco: 3  / seis: 3
sete: - / oito:- / nove: 2
ego: 8 - parceria: 8 - generosidade: 2
criatividade: 5 - impulsividade:  3 - decisão: 10/1

Informação adicional:
arcano do tarô: A Imperatriz
primeiro desafio: 1               segundo desafio: 15/6
desafio maior: 14/5

Períodos da Vida:

I. destino 20/2  ciclo 08 pináculo 24/6

(de O a 26 anos de idade)
II. destino 20/2  ciclo  16/7 pináculo 24/6
(de 26 a 34 anos de idade)
III. destino 20/2   ciclo 16/7 pináculo 1974 /21/3
(de 34 a 43 anos de idade)
IV. destino 20/2   ciclo 16/7 pináculo 1998/27/9
(de 43 a 52 anos de idade)
V. destino 20/2  ciclo 23/5 pináculo 1966 / 22
(de  52 anos em diante)

Os Trânsitos
  
   datas   *   idade    *     trânsito de letras     *       essência     *    ano pessoal
16.08.1958    00            M  * L  *  C             10/1               20/2
16.08.1959    01            M  * L  *  C             10/1                21/3
16.08.1960    02            M  * L  *  C             10/1                22
16.08.1961    03            M  * O  *  I              19/1                23/5
16.08.1962    04            A   * O  *  I              16/7                24/6
16.08.1963    05            D   * O  *  I              19/1                25/7     
16.08.1964    06            D  *  O  *  I              19/1                26/8
16.08.1965    07            D  *  O  *  I              19/1               27/9
16.08.1966    08            D  *  O  *  I              19/1               19/1
16.08.1967    09            O  *  U  *  I              18/9               20/2
16.08.1968    10            O  *  U  *  I              18/9               21/3
16.08.1969    11            O  *  U  *  I              18/9                22
16.08.1970    12            O  *  I   *  C              21/3               23/5
16.08.1971    13            O  *  I   *  C              21/3                24/6
16.08.1972    14            O  *  I   *  C              21/3                25/7 
16.08.1973    15            N  *  I  *   C              17/8                26/8
16.08.1974    16            N  *  I  *   C              17/8                27/9 
16.08.1975    17            N  *  I  *   C              17/8                28/1
16.08.1976    18            N  *  I  *   O              20/2                  2
16.08.1977    19            N  *  I  *  O              20/2                  3
16.08.1978    20            N  *  I *   O              20/2                  4
16.08.1979    21            N  *  S  * O              12/3                   5
16.08.1980    22            N  *  E  * O             16/7                   6
16.08.1981    23            N  *  E *  O             16/7                   7
16.08.1982    24            N  *  E *  N              15/6                   8
16.08.1983    25            A  *  E *  N              11                       9
16.08.1984    26            M  *  E *  N              14/5                  10/1
16.08.1985    27            M  *  L *  N              12/3                  11
16.08.1986    28            M  *  L *  N              12/3                  3
16.08.1987    29            M  *  L *   E              12/3                  4
16.08.1988    30            A  *  O  *  E              12/3                  5 
16.08.1989    31             D  *  O  * E              17/8                  6
16.08.1990    32             D  *  O  * E              15/6                  7
16.08.1991    33             D  *  O  * E              15/6                   8
16.08.1992    34             D  *  O  * C              13/4                   9
16.08.1993    35             O  *  O  * C              15/6                 10/1
16.08.1994    36             O  *  U  * C              12/3                 11
16.08.1995    37             O  *  U  * I                18/9                12/3
16.08.1996    38             O  *  U  *  I               18/9                 4
16.08.1997    39             O  *  I   *  I               24/6                 5
16.08.1998    40             O  *  I   *  I               24/6                 6 
16.08.1999    41               N  *  I   *  I               23/5                  7
16.08.2000   42              N *   I  *  I                23/5                  8 
16.08.2001    43              N  *  I  *  I                23/5                  9
16.08.2002    44              N  *  I  *  I                23/5                 10/1 
16.08.2003    45              N  *  I  *  I                23/5                 11
16.08.2004    46              N  *  I  *  C               17/8                 12/3
16.08.2005    47              N  *  I  *  C                17/8                 13/4
16.08.2006    48              N  *  S *  C                9                        5
16.08.2007    49              N  *  E *  C                13/4                    6
16.08.2008    50              N  * E  *  C                13/4                   7
16.08.2009    51              A  *  E  *  C                  9                      8
16.08.2010    52              D  *  E  *  O                15/6                  9
16.08.2011    53              D  *  E  *  O                15/6                  10/1
16.08.2012    54              D  *  L   * O                13/4                   11
16.08.2013    55              D  *  L   * O                13/4                   12/3
16.08.2014    55              O  *  L   * O                15/6                   13/4
16.08.2015    56              O  *  O   * O               18/9                    5
16.08.2016    57              O  *  O  *  N                17/8                   6
    16.08.2017    58              O  *  O   * N                17/8                   7


Comentários e dados biográficos:

. O número 6 da Personalidade Interior é um símbolo de emoção na posição do mapa numerológico que analisa o emocional da pessoa. Sendo assim, dá para concluir que, como mãe, filha, esposa, irmã e amiga próxima, Madonna é uma pessoa extremamente passional, fogosa, intensa. Talvez por isso seus cinco irmãos e irmãs costumavam chamá-la de “A Boca” quando criança: ela vivia gritando por atenção e demonstrando certa carência afetiva. Como amante, deve ser bem passional, sedutora e ciumenta; como filha, dramática e apegada; como mãe, a típica mãezona; como amiga, o protótipo da amiga do peito. Pode ser muito grata, mas também muito rancorosa, implicante e agressiva-passiva. Mas estes são aspectos de sua personalidade que apenas os verdadeiramente íntimos conhecem, não é algo que faça parte de sua vida pública — apesar de ser possível perceber nas letras de suas músicas todos os traços de personalidade citados. O desafio 4 indica a presença de uma voz moralista em seu lado afetivo, e ela já declarou que tudo o que fez, mesmo em seus momentos mais rebeldes, no fundo tinha como objetivo chamar a atenção de seu pai.

. O número 9 que Madonna traz na Personalidade Exterior (que representa aquilo que a pessoa é/expressa na vida social, pública e profissional) indica exagero, rapidez, popularidade e comunicação plena, deixando claro que se trata do mapa de uma pessoa ávida por atenção. O número 9 também representa capacidade de multiplicação, e Madonna muda de visual constantemente, além de sempre experimentar novas formas de se expressar. Sua vida profissional é intensa, variada, veloz, surpreendente e grandiosa, adjetivos e características que se encaixam perfeitamente com o arquétipo do número 9. O desafio 1 mostra que a liderança que ela exerce é fruto de luta e conquista, não é algo inato.

. O número 6, além de ser símbolo de profunda afetividade e intenso apego, é também um dos três números mais fortes em termos de comunicabilidade e criatividade (os outros dois são os números 3 e 9). Isto por si só já se conecta ao fato de ela ser artista, mas o arquétipo 6 indica também uma preocupação com a popularidade (preocupação esta que também é típica do número 9 que Madonna traz na Personalidade Exterior). Então o fato de ela ser uma entertainer antes de qualquer coisa faz sentido — ela precisa da aprovação e participação do grande público para validar sua comunicação (Síntese 6), e o céu é o limite (Exterior 9). Ao contrário do que possa parecer, Madonna não é essencialmente uma businesswoman gélida. Seu mapa numerológico sugere que seu sucesso sem precedentes é fruto de intuição, feeling e necessidade de se comunicar com o mundo inteiro, literalmente. O sucesso comercial e a riqueza são muito bem vindos, naturalmente, mas o processo que os desencadeia não é um processo frio e cerebral, mas instintivo e emocional. Além disso, o número 6 representa a pessoa que segue pelos caminhos oficiais da sociedade — e Madonna sempre foi excelente aluna na escola, além de trabalhadora disciplinada, rigorosa e dedicada. A origem do número 6 da Síntese é 15, o que enfatiza o aspecto mais forte, mais ambicioso e mais predador do número — o arquétipo de 6 representa a mãezona e uma pessoa preocupada com a sociedade e com a espiritualidade, mas o número 15 desmente qualquer fragilidade sugerida pela condição par/yin do número 6. 

. A maternidade é uma das características que definem Madonna. A primeira filha, Lourdes, serviu de inspiração para sua música no disco Ray of Light e catapultou um processo de maior elaboração da mente e refinamento de seus interesses. Pouco tempo após o nascimento de Lourdes, Madonna se separou do pai da menina. No ano 2000 começou um relacionamento com o cineasta inglês Guy Pearce, com quem se casou no ano seguinte — e se mudou para a Inglaterra. Com Pearce ela teve Rocco, o segundo filho, e adotou o terceiro, David. O casamento durou oito anos, e no final Madonna voltou a morar nos Estados Unidos. Já sozinha, adotou ainda uma quarta criança, uma menina chamada Mercy.

. Mesmo não representando sua principal fonte de sucesso, é claro que o senso comercial faz parte da estratégia de Madonna. Seu livre-arbítrio 26/8 indica que suas escolhas costumam ser guiadas por este senso. Alguns chamariam isto oportunismo, mas é essencial para o arquétipo 8 tornar tudo parte do negócio. O 2o. livre-arbítrio (27/9) representa um impulso a mais na já obsessiva personalidade da cantora -- o que se relaciona claramente com sua dedicação extrema aos exercícios físicos: Madonna tem um preparo físico de atleta. Sua maior ambição (essência 6) confirma e endossa mais uma vez a importância da família em sua vida. Madonna tem quatro filhos, cinco irmãos, já foi casada duas vezes e seus relacionamentos costumam ser longos. Estabilidade afetiva e uma família sólida são valores essenciais para ela.

. Seu equilíbrio (10/1) se dá ao exercer liderança, autoridade, ao servir de guia, ao desbravar caminhos. Ser a primeira, a vencedora, a maior, ser um ícone, tudo isso é fonte de equilíbrio para que Madonna possa exercer seu lado familiar, afetivo e espiritual. É provável que ela muitas vezes abuse de sua autoridade e força sem sequer perceber. Uma vez ela disse em uma entrevista à revista Vanity Fair que “se a pessoa não sente que morre caso não faça algo, melhor não fazer”, o que se vincula à necessidade de estar sempre ativa que é típica do número 1.


. Pelo gráfico do nome é possível notar que parece muito emocionante — no sentido do inesperado —, mas um tanto difícil lidar com Madonna. Ela não tem números 8 no gráfico do nome – uma ironia para alguém conhecida como a material girl –, confirmando que sua aptidão de mulher de negócios vem mais de seus esforços (livre-arbítrio) que de seu talento natural: é algo que se desenvolveu através da experiência e necessidade, não uma qualidade inata, como já observamos antes. A ausência de 7 reflete uma grande dificuldade em estar só, e também certa resistência à religião — apesar de ela ter se aproximado de algo próximo à religião a partir dos quarenta anos: a Cabala. Madonna não é uma personalidade naturalmente feita para aceitar regras externas sobre sua própria vida. O que a fascina é o ritual e o simbolismo. Uma grande quantidade de números 3 apenas reafirma o quanto ela é ligada a tudo que este número representa e que está estampado em sua trajetória pública: espontaneidade, bom-humor, travessura, criatividade, entretenimento, infantilidade, jovialidade. Madonna é o verdadeiro retrato da Imperatriz do tarô: uma mulher que domina através da beleza e da feminilidade.

. A mãe de Madonna faleceu em 1963, aos 30 anos de idade. A pequena Madonna estava passando por um encontro dos números 16/7 e 24/6, geralmente anunciadores de experiências duras. Houve desajuste familiar e trauma quando o pai se casou de novo — ela e a madrasta, com quem nunca se deu muito bem, especialmente durante a adolescência. Aos 8 anos a conjunção de números 19/1 indica confronto e conflito com autoridade. Entre os 16 e 20 anos, se torna independente (atenção para os números 17/8, 18/1 e 27/9 em trânsito). Entre os 24 e 25 anos as coisas começaram a acontecer com suas músicas e sua carreira deslanchou em meio a muita competição e luta pelo sucesso — número 6, 8, 9 e 11. Entre os 26 e 34 anos de idade Madonna viveu um período de crescimento profissional permeado por medo e insegurança. Há indícios de que, por detrás do ofuscante sucesso havia certa melancolia, pois ela já declarou em uma entrevista à MTV, promovendo seu vídeo para Take a Bow, que até os 33 anos de idade viveu na sombra da ameaça de câncer do seio, como ocorreu à sua mãe nessa idade. A sombra só se desfez quando ela completou 34 anos e viu que nada acontecera.

. Aos 28 anos a conjunção de números 3 indica grande potencial de sucesso e expansão na carreira artística. Entre 1987 e 1988 houve mudanças radicais no campo da estabilidade afetiva — números 3, 4 e 5. Transformação de estável em mutável. Neste período, Madonna se casou e se divorciou de Sean Penn – o fim de um relacionamento controverso. Entre seus 32 e 35 anos de idade, quando havia um confronto de números incompatíveis como 4 e 9, 6 e 7 e 6 e8, ocorreu sua fase emocional mais controversa e sombria, o que refletiu em seu trabalho: um disco sensual e um tanto agressivo para os padrões da música pop (Erotica), um livro (Sex) de fotografias eróticas, uma turnê repleta de cenas consideradas escandalosas (The Girlie Show) e um filme (Body of Evidence) no qual que interpretava uma vilã mortal que usava o corpo às ultimas conseqüências. Parecia que ela estava fazendo uma catarse de suas próprias qlipoth, bem como projetando as de seu público. Ganhou o papel de Evita Perón no cinema durante um ano pessoal 1 — momento de recomeço e conquista — após batalhar pelo papel com várias atrizes famosas e competentes. Acabou sendo premiada o Globo de Ouro de melhor atriz – grande feito para quem nunca foi levada a sério como atriz antes, e nem depois, a bem verdade. Aos 38 anos de idade, logo após finalizar seu trabalho no filme Evita, durante o ano pessoal 4, deu à luz a filha Lourdes. Lançou novo disco, Ray of Light, cheio de referências new age e indianas, trilhando um caminho estético que misturava tecnologia e meditação. Transformou-se de material girl em estudante de cabala — o logotipo de sua turnê Drowned World é nada menos que a Árvore da Vida — e praticante de yoga. Entre 1997 e 2003 a conjunção de letras I indica muito estresse, agitação, ansiedade. Foi neste momento que Madonna se aprofundou nos estudos da cabala, o que possivelmente funcionou como válvula de escape e terapia.


. Em 2000, durante o ano pessoal 8, ela deu à luz o filho Rocco e se casou com o cineasta inglês Guy Ritchie. Após os sustos de 2001 (a cantora chegou a suspender apresentações de sua turnê nos Estados Unidos devido aos ataques de 11 de setembro) Madonna parecia estar em recolhimento – ou seja, preparando algo para surpreender o público. E de lá para cá ela se tornou também escritora de livros infantis (cinco títulos lançados, naturalmente, todos best-sellers), diretora de cinema (dirigiu dois filmes até agora — estamos em 2013) e dona de uma rede de academias de ginástica chamada Hard Candy. Para não perder o hábito, emendou uma turnê mundial mais lucrativa e ambiciosa do que a outra. Como já foi citado, o número 6 e o número 9, ambos fortes no mapa de Madonna, sugerem grande consciência social, e ela de fato é uma ativa filantropa e ativista de causas como os direitos humanos, dos homossexuais, das mulheres, das crianças e da liberdade de expressão. Há quem diga que tudo não passa de autopromoção, mas, tomando por base seu mapa numerológico, eu diria que a intenção é sincera.

. Aí um dos leitores ou leitoras pode se perguntar se esta análise não estaria influenciada pela imagem pública de Madonna, e eu respondo: claro que sim — até certo ponto. Claro que a imagem pública de uma pessoa depende exclusivamente da ótica de cada um, da maneira como cada indivíduo enxerga o outro. Por outro lado, ao interpretar o mapa é preciso fazer um exercício intenso de imparcialidade. Qualquer impressão que se tenha de uma pessoa antes ou durante a interpretação de seu mapa deve ser — no limite do possível — abafada em favor de maior concentração no simbolismo de cada número e de cada posição do mapa, e suas correlações.


. Finalizando, cabe dizer também que os cálculos do mapa numerológico natal estão todos aí, mas a interpretação completa de um mapa vai além do que se pode colocar em texto. A interpretação de um mapa é algo que se expressa plenamente falando, não escrevendo — quer dizer, seria possível interpretar o mapa de uma vida inteira com palavras, mas aí seria o mesmo que escrever uma biografia completa, um livro; não caberia em um post. O que eu apresento aqui são observações sobre conexões importantes entre o mapa de Madonna e o que se conhece de sua biografia, ou seja, um ponto de partida para uma interpretação mais elaborada.



(c) Johann Heyss