24 de ago de 2010

Introdução de "O Que é Numerologia"

Em 2003 publiquei "O Que é Numerologia", uma versão revista e ampliada de "Iniciação à Numerologia", cuja introdução reproduzo abaixo.
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 Caros leitores, 

Apresentar a numerologia de maneira sucinta é uma tarefa difícil, já que envolve uma série de esclarecimentos que muitas vezes vão de encontro ao estabelecido sobre esta técnica no imaginário popular. Por isso, gosto de iniciar meus livros – este é o terceiro que escrevo sobre o assunto – chamando a atenção para certos pontos. 

 Primeiro, os estudantes de numerologia devem ter em mente que a numerologia não é um sistema mais mágico do que a medicina, a psicologia, a meteorologia ou qualquer outro conhecimento que ofereça auxílio dentro de um certo padrão pré-estabelecido. Ou seja, todo conhecimento que vem sendo acumulado pelo homem é pura magia, já que o ser humano conseguiu e consegue alargar as possibilidades da imaginação através da conquista tecnológica: todos os avanços são fruto de um processo de criação mental (concepção do que virá a ser criado), comunicação (planejamento do produto) e realização final. A magia nunca foi fonte de criação de absurdos: as antigas lendas de monstros e fenômenos inexplicáveis mais e mais se revelam como erros de interpretação ou de tradução, ou simplesmente referências a seres e fenômenos não descobertos em tempos antigos. Isto faz, por exemplo, com que uma lula gigante tenha sido considerada lenda até recentemente, quando pesquisadores descobriram a existência de tais moluscos superdesenvolvidos. Portanto, quando digo que a numerologia não é um sistema “mais mágico” que outros, quero ressaltar que um médico trata o doente, mas não pode evitar indeterminadamente a morte; a psicologia trata as neuroses e distúrbios mentais/emocionais, mas não pode garantir a cura; a meteorologia analisa as condições atmosféricas através de satélites e outros instrumentos, mas não é e nem se propõe a ser um oráculo infalível de previsão do tempo – e assim é com os conhecimentos científicos, filosóficos, artísticos e todas as outras formas derivadas da criação mental humana. 

 Estando isto claro, o estudante pode facilmente compreender o objetivo real da numerologia, que é mostrar um panorama dos potenciais de personalidade e de destino, de forma imparcial e elucidativa. São sublinhados qualidades-chave e desequilíbrios que possam funcionar como um calcanhar-de-aquiles, e todo problema apresentado traz em si mesmo uma solução – alguns mapas podem ser como um labirinto, mas nunca são sem saída. 

 Venho estudando, testando, usando, ensinando e trabalhando com numerologia há quatorze anos, e já passei por várias fases em todo este processo. Mas posso extrair uma essência: o sistema de numerologia apresentado neste livro funciona de fato. Posso dizer isto após mais de duas mil consultas de mapas que sempre encontraram ressonância e familiaridade nas pessoas analisadas, bem como os estudos de mapas de personalidades públicas[1].

 Sempre tive tendências céticas, e até parte da minha adolescência encarava com cínica ironia coisas como religião, ocultismo, etc. A mudança de ponto de vista se deu não através da numerologia, mas através do I-Ching: tinha 16 anos quando adquiri, por curiosidade, uma coleção de fascículos de banca de jornal que trazia um pequeno oráculo I-Ching na forma de dois dados hexagonais, um azul e outro vermelho. Ao consultar o oráculo pela primeira vez, recebi como resposta algo que não me agradou (Arcano 41, Sun, A Perda). Numa atitude arrogante e infantil, joguei os dados de novo, esperando que viesse assim a “resposta certa”. Qual não foi meu estupor ao ter como resposta o Arcano 4, Meng, A Inexperiência, que dizia, entre outras coisas, que eu era jovem e inexperiente demais, e que “o oráculo responde a uma pergunta apenas e somente uma vez, insistir é ser inoportuno”. Foi a partir de então que considerei que algo havia naquilo, e comecei, naturalmente, a investigar as mais variadas disciplinas esotéricas. A numerologia acabou sendo objeto de meu especial interesse devido a uma imensa precisão de suas técnicas de análise aliada a uma enorme facilidade de cálculos. Eu manifestei também interesse em tarô – com o qual até hoje trabalho, particularmente o Tarô de Thoth – bem como em muitos outros sistemas, mas nenhum deles se mostrou tão objetivo, preciso e prático quanto a numerologia. 

 Escrevi, baseado na minha experiência, um primeiro livro após quatro anos de estudo e mais seis de prática, “Iniciação à Numerologia”, cujo objetivo era apresentar um sumário das técnicas utilizadas até então, lançando mão do mapa numerológico de John Lennon como exemplo do modo de cálculo e interpretação. Nesta época, 1996, poucos livros no mercado internacional — e praticamente nenhum no mercado brasileiro — davam atenção à questão dos números compostos[2], ou número de origem, que sempre considerei essenciais para plena assimilação dos arquétipos que formam cada personalidade individual. 

 Este mesmo livro foi lançado nos EUA e Alemanha, mas já em versão revisada e atualizada por mim quando verti o original em português para o inglês — sendo algo dinâmico, como todo conhecimento e ciência, a numerologia pode e deve manter um ritmo contínuo de atualização e desenvolvimento, e jamais se cristalizar em dogmas que a transformem em superstição e, portanto, em ignorância. Sendo assim, atualizar, reescrever e acrescentar tópicos acabou por gerar um outro livro, que é este em suas mãos — e que acaba de ser lançado na França em sua versão revista e ampliada. 

 As páginas seguintes foram elaboradas com a intenção de auxiliar no autoconhecimento, jamais para propagar paranóias relacionadas a um futuro pré-estabelecido ou possíveis tendências aziagas. Estudos científicos modernos vêm cada vez mais provando que não há verdade absoluta, mas sim verdades compatíveis com o grau de assimilação de cada indivíduo, cada cultura, cada época. Por isso os símbolos — como os números — podem gerar diferentes interpretações e ainda assim permanecerem os mesmos em sua essência: cada pessoa apreende o que pode. Há premissas, há métodos, mas a ciência de hoje já desmentiu inúmeras verdades absolutas do passado, e o futuro há de trazer a queda de parte das verdades absolutas de agora. Por isso encorajo os estudantes a encararem sempre a numerologia, como a tudo, como um conhecimento em desenvolvimento. Citando duplamente o físico dinamarquês Niels Bohr, vencedor do prêmio Nobel de física em 1922: “O oposto de um enunciado correto é um enunciado falso. Mas o oposto de uma verdade profunda pode ser outra verdade profunda”, e “Tudo o que eu digo deve ser entendido não como uma afirmação, mas como uma pergunta”. Tomo emprestadas estas sábias palavras. 


Johann Heyss 

Rio de Janeiro, Inverno de 2003

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[1] Ver Capítulo 3 e o mapa de John Lennon. 


[2] Ver Capítulo 1, “Os Números e Suas Personalidades”. 



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