17 de abr de 2011

Números, elementos e eras

Há uma relação muito intrigante entre os números e os quatro elementos, revelando conexões ocultas e sutis entre as forças da natureza, os diferentes sistemas de magia e os números. Além disto, é possível entender a evolução da humanidade ao abordar a numerologia de um ponto de vista planetário e histórico amplo. 

Os 4 elementos 

Fogo, o primeiro elemento, é associado ao número 1. O fogo representa o espírito, a chama interna, a purificação alquímica, algo que se encontra além da matéria, além do pensamento e até mesmo além do sentimento; é algo ainda mais abstrato, aquilo que move o sentimento espiritual no ser humano — e note-se aqui que espiritual não tem nenhuma relação obrigatória com religioso, embora as religiões devessem todas lidar com o espiritual — o que infelizmente nem sempre ocorre. O fogo é um símbolo de poder e de belicosidade também: o poder do homem primitivo sobre os outros animais se fez impor através do domínio do fogo, tornando assim os humanos mais poderosos que animais inúmeras vezes mais fortes e terríveis. Hoje em dia a lógica prossegue a mesma: os países mais poderosos são aqueles que detêm mais armas de fogo, as quais geralmente representam o ponto final numa discussão política internacional. 



O símbolo do fogo é uma tocha acesa. 

Água, o segundo elemento, é associada ao número 2. A água representa a emoção, que vem a ser a manifestação material (física) mais próxima do espírito, ou ainda a manifestação espiritual mais próxima da matéria. A emoção fica na fronteira entre o espírito e o pensamento. A água é ondulante, calmante, suave, mas também pode ser uma violenta fonte de terror — basta imaginar uma tsunami. Representa o princípio feminino da adaptabilidade e da persuasão, mas note que, assim como o homem, chamado “sexo forte”, pode usar de sua força para proteger os entes queridos numa demonstração de carinho através da força, da mesma forma uma mulher, chamado “sexo frágil”, pode ser violenta sem uso de força física, mas através de manipulações emocionais. Na verdade, qualidades e defeitos transcendem o sexo da pessoa; estas comparações se dão no plano da psique e do arquétipo, que independem de gênero. 



O símbolo da água é uma taça cheia deste elemento. 

Ar é o terceiro elemento, associado ao número 3. É o elemento das idéias, do pensamento, da criatividade, do raciocínio e da filosofia. Depois da urgência espiritual que não tem nome e da espontaneidade emocional, naturalmente se desenvolve a necessidade de refinar as emoções, ou seja, educá-las, analisá-las —alguns diriam “domá-las”, o que pode ser castrador ou necessário, dependendo do ponto de vista. A grande característica do ser humano é sua criatividade: tudo que há na sociedade foi primeiramente concebido, imaginado, pelos homens e mulheres. Daí que todos os planos, conceitos, racionalizações e ciência têm ressonância no arquétipo do ar. A intuição está ligada à espiritualidade do fogo; ao se tornar menos abstrata a intuição se transforma em sentimento; e ao se pensar no sentimento começa a análise do mesmo — e este é o processo do ar. Ao mesmo tempo em que representa o desenvolvimento do ser humano através da inteligência, o elemento ar evidencia as armadilhas que o intelecto prega, devido às suas limitações. 



O símbolo do ar é uma espada brilhante. 

Terra é o quarto elemento, associado ao número 4. É o elemento mais estável entre todos, o mais previsível, relacionado à matéria, à organização das coisas, à manifestação palpável do conceito que surgiu no fogo, foi filtrado pela água e vivificado pelo ar. O elemento do corpo e da casa, e do sustento de ambos. É o elemento menos refinado e mais essencial de todos. Representa o instinto, que atinge os mesmos fins do raciocínio, sem passar pela complexa mecânica do pensamento. Elemento primitivo, referência de certeza, o chão em que se pisa. Contudo, sua estabilidade, que parece permanente, é fonte de total desestrutura quando algo errado acontece, como um terremoto: sendo o elemento mais firme de todos, a eventual instabilidade da terra provoca danos e traumas piores do que quaisquer outros desequilíbrios dos elementos. 



O símbolo da terra é uma moeda de ouro. 

As 4 eras 

Podemos dividir a idade conhecida da Terra, aquela que reside na memória da humanidade, em quatro: A Era Pré-Histórica, a Era Pagã ou Pré-Cristã, a Era de Peixes ou Cristã, e a Era de Aquário, também chamada de Neo-Pagã, Pós-Cristã ou Era de Hórus. 

A Era Pré-Histórica — Elemento Fogo 

Este é o ponto mais antigo da história que a memória humana pode alcançar. Nesta época, os instintos mais primitivos e não-burilados estavam evidentes, não havia pensamento desenvolvido, e as emoções eram puro instinto. A matéria como a conhecemos hoje tampouco existia, pois o homem não criava a matéria em si: vivia-se a vida em seu estado mais natural, mais puro e mais bruto. O ponto de mutação se deu quando o ser humano descobriu como dominar o elemento fogo: a partir daí, nem mesmo o maior e mais carniceiro dos dinossauros era páreo para aqueles seres que mais pareciam macacos pelados. Período em que a religiosidade era apenas um impulso de reverência a um criador. 

Esta era é relacionada ao número 1, no sentido de ser a primeira, e também por ser a era quando a luta pelo poder era a luta pela própria existência. Este foi o alvorecer da humanidade, quando foi acesa a tocha do espírito, já que antes disso teria havido apenas o Grande Nada — ou seja, o número 0. 

A Era Pagã — Elemento Água 

O conceito espiritual e religioso era ligado à idéia da Deusa como entidade máxima. A divindade era feminina, pois o entendimento do ser humano era de que a mulher, ao dar à luz, criava a vida ela mesma, sozinha. Não se tinha conhecimento então do papel do homem, através do espermatozóide, na concepção. Por isso, como o homem cria a idéia da divindade como sendo aquele/aquela que origina a vida e provê, a polaridade feminina era objeto de outro tipo de respeito, que veio a se deteriorar na era seguinte. Este foi o período das religiões primitivas, chamadas pagãs. O número 2 tem conexão óbvia com o arquétipo da Grande Mãe, da Grande Deusa. 

Era Cristã — Elemento Ar 

Através da ciência e do conhecimento — atributos do elemento ar — descobriu-se a existência e função do espermatozóide e, portanto, do papel masculino na concepção. Isto levou a consciência humana ao culto ao masculino, já que o entendimento de então era que a mulher seria apenas um receptáculo da semente masculina. Voltaram-se então os cultos à idéia de Deus, principalmente às religiões que cultuam o filho de Deus, como as religiões cristãs, ou mesmo as que cultuam o mensageiro escolhido por Deus, caso da religião muçulmana. A relação com o número 3, que é o filho de 1 e de 2, é evidente. Durante a era cristã se chegou aos maiores avanços tecnológicos e da ciência, apesar da Idade Média e seus séculos de conhecimento sufocado pela ignorância religiosa. Este período do elemento ar, que se encontra em processo de recolhimento, lentamente cede lugar à chegada de uma nova era, tão decantada e anunciada.     

Nova Era — Elemento Terra 

Não se pode descrever com precisão algo que ainda não se manifestou por completo, mas muitas tradições falam de uma Idade de Ouro. O ouro é símbolo de terra, por ser nela encontrado, e a moeda é símbolo do domínio material. Por mais que se prometa uma avançada espiritualidade na nova era, é de se notar que a tendência natural é cada vez mais materialista, de acordo com o que representa o número 4: o corpo (matéria) tem maiores chances de viver mais longamente, todas as pessoas são identificadas por números de cartões e documentos, o dinheiro e as operações financeiras são uma realidade quase impossível de se manter à parte. Eu, pessoalmente, imagino que isto vá se estender e esticar até o ponto de saturação (limite) da própria matéria (terra), o que pode provocar uma crise que resgataria então, por bem ou por mal, valores básicos, essenciais, e de maior conexão com a natureza da qual veio a humanidade, mas com o conhecimento e domínio da matéria que teremos então conquistado. 


Os Números e os Elementos

O elemento de cada número revela muito da personalidade do mesmo. Assim como o número 1 é ligado ao fogo, o número 2 é ligado à água, o 3 é ligado ao ar e o 4, ligado à terra; da mesma forma, o número 5 é o segundo número de fogo, o número 6 é ligado à água, o 7 ao ar e o número 8 à terra; e de novo o número 9 vincula-se ao fogo... 

Se você quiser mergulhar na relação entre números e elementos, recomendo O Livro dos Números. Nele esta conexão é apresentada detalhadamente, em profundidade, com gráficos e tabelas explicativos.


O Livro dos Números também foi lançado na Alemanha, na Rússia e na República Tcheca.

   
Texto e fotos de Johann Heyss. Todos os direitos reservados.

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