18 de abr de 2011

Os números e os mitos

É possível conectar os números enquanto símbolos a qualquer outro tipo de símbolo. Neste post vamos abordar a conexão entre os números e alguns dos mais conhecidos mitos gregos. Fazer esse tipo de correlação é bom para exercitar o conhecimento dos arquétipos numéricos. Não significa que possamos calcular um “mito” equivalente à nossa pessoa, mas sim perceber como o mesmo princípio que anima o arquétipo de um número cumpre o mesmo papel na astrologia e no tarô, nos cristais e nas cores, entre outros, e também nos mitos — criações humanas para explicar e nomear princípios da natureza, assim como os próprios números são representações de princípios naturais. 

Número O — Caos 

O espaço aberto, o vazio, o vácuo de onde surgiram Gaia (a Terra), Érebo (as Terras Infernais ou Escuridão Primordial) e Nyx (a Noite) — ainda que alguns digam que esta última tenha se originado em Eros. O Caos não possui forma, é rústico e primitivo, um estado anterior à existência, a matéria que deve ser organizada. O Caos é uma associação óbvia ao número 0, por seu caráter de origem de todos os outros números — em outras palavras, é a origem do mundo como o conhecemos. 

The birth of the world from chaos. (A. Fantalov, water-colour, 1993)


Número 1 — Hélio 

Hélio, filho de Teia e Híperon, é a personificação do Sol. Tão logo raia a Aurora, ele sai guiando seu carro ígneo pela abóbada celeste até mergulhá-lo no oceano à noite. De seus olhos saem raios que iluminam o dia. 

Helius god of the sun, Athenian red-figure krater
C5th B.C., British Museum, London

Número 2 — Selene 

Na mitologia Greco-Romana, Selene, irmã de Hélio, é a personificação da própria lua. Dona de uma libido voraz e insaciável, ela viaja numa carruagem de prata puxada por dois cavalos. 

Selene and Endymion (detail), by Nicolas Poussin
(1594-1665), French Baroque painter


Número 3 - Íris 

Mensageira de Zeus e Hera, Íris viaja na velocidade do vento, e sua função de comunicadora evidencia a ligação com o número três. Além disto, é a deusa do arco-íris, o qual se forma após o encontro do sol (fogo) com a chuva (água) — ou seja, o arco-íris é filho de polaridades extremas e distintas. 

Iris, Athenian red-figure lekythos C5th B.C.,
Museum of Art Rhode Island School of Design


Número 4 - Deméter 

Esta é a própria deusa da terra, elemento do número 4. Deméter regula as estações: quando está alegre vivifica todos os plantios, as águas correm em torrentes, o sol brilha e a natureza sorri. Contudo, Deméter se entristece tremendamente quando é obrigada a separar-se da amada filha Perséfone. Esta separação, que dura quatro meses ao ano, vem a ser o inverno. 



Número 5 — Eros 

Deturpado como um bebê-cupido pela cultura romana, Eros é na verdade representado como um rapaz bonito, alado, que provoca nas pessoas o florescer do desejo e da atração sexual. Um ser altamente instintivo, um dos deuses mais antigos, surgido diretamente do caos. 

Eros by Michelangelo, circa 1601–1602.

Número 6 — Hera 

Hera, mulher e irmã de Zeus, é uma deusa extremamente passional, ciumenta, possessiva, e também conhecida pela capacidade maternal e geradora. Era uma deusa muito cultuada, e dizia-se que sua virgindade retornava a cada ano, ao se banhar no poço Canatus. Protetora do casamento e das mulheres casadas, bem à moda do número 6, que preza acima de tudo a base familiar. 

watercolor by Gustave Moreau

Número 7 — Zeus 

Embora não seja o deus mais velho, é certamente um dos mais respeitados e poderosos. Zeus liga-se a 7 no que diz respeito à reverência, ao culto, e à suprema inteligência de um regulador de costumes e mesmo de leis — até porque, se 8 executa e defende as leis, estas são formuladas na verdade pelo número 7. 

Zeus with eagle & lightning, Athenian red-figure
amphora C5th B.C., Musée du Louvre, Paris


Número 8 — Plutus 

Personifica tanto o aspecto da riqueza e prosperidade do número 8, quanto a justiça que é cega: Plutus foi cegado por Zeus, e assim, apesar de ser muito rico, não vê o valor material das coisas. 



Número 9 — Dioniso 

O deus do êxtase, do prazer, do vinho e dos extremos, Dioniso representa a alegria e os excessos que se encontram também no arquétipo do número 9. Dioniso é também um deus cíclico, que morre a cada inverno e renasce na primavera. É reverenciado através de orgias e embriaguez. Em Dioniso se encontram também as raízes do drama grego. 


Número 11 — Urano 

Deus do firmamento, avô de Zeus e pai de Crono, Urano nunca foi muito adorado pelos gregos antigos, apesar de ser um mito de enorme importância e influência — mais ou menos como ocorre com o número 11, muito pouco reconhecido devido à própria natureza vanguardista de suas descobertas e idéias. As proles de Urano costumavam ser monstruosas, o que às vezes se mostra no número 11 como a interpretação errônea de sua linguagem peculiar, gerando confusão e erro. Contudo, seu papel de abrir caminhos é único, essencial, imprescindível. Urano representa toda a amplidão do céu por desvendar. 

Aeon-Uranus with zodiac, Roman mosaic
C3rd A.D., Glyptothek Museum, Munich

Número 22 — Aristeu 

Sendo 22 um número de multiplicidades, popularidade, agilidade, de grande espiritualidade e consciência do próximo, Aristeu se encaixa como a perfeita correlação do número com o mito. Conhecedor das artes da profecia e da cura, Aristeu é um imortal que protege a caça, cultiva abelhas e azeitonas, além de conduzir rebanhos. A relação de 22 com a terra, e com as viagens por terra, o potencial de cura e visão, tudo isto conecta facilmente o mito grego de Aristeu com o arquétipo do número 22.


Se você quiser mergulhar na relação entre números e os mitos, recomendo O Livro dos Números. Nele esta conexão é apresentada em profundidade.

Texto de Johann Heyss. Não reproduza sem mencionar o autor e o blog.

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