28 de abr de 2011

Prefácio de Nei Naiff para O LIVRO DOS NÚMEROS

Acabo de receber a terceira edição de "O Livro dos Números". Para um livro tão hermético, ele tem uma boa venda, constante. Fico feliz com isso.

Reproduzo abaixo o prefácio escrito por Nei Naiff para este livro.

"Eu sou da opinião que depois da descoberta do fogo e da roda, nada se compara à da eletricidade; podemos assegurar que a introdução desse tipo de energia foi a alavanca para o homem moderno e toda sorte de tecnologia que se possa imaginar. Existe algo que não esteja direta e/ou indiretamente ligado ao conceito de eletricidade? Não. Sem ela ainda estaríamos andando de carroça ou lendo este livro à luz de velas. Contudo, não é somente um vertiginoso crescimento tecnológico que estamos vivendo, pois com o advento da eletricidade incrementou-se o capitalismo que, por sua vez, instaurou a máxima time is money.

Você pode estar pensando: "E eu com isso? Você está falando o óbvio! Eu quero aprender logo a numerologia! Onde está a página que faz o cálculo e a outra que interpreta?"

Calma. A rapidez com que a sociedade tem se desenvolvido desde o final do século XIX fez com que o homem mudasse por completo seus hábitos seculares de aprendizado, quando havia tempo para pesquisar, elaborar e perceber o que poderia estar além das palavras escritas. A maioria das pessoas de nosso tempo decora palavras, não estuda nem entende o significado até do que foi memorizado; por isso, necessita de colas durante as provas escolares porque o simples fato de formular novas visões e/ou conjeturar faz com que elas não entendam nada!

Pois é, esse foi o efeito colateral que a humanidade trouxe ao homem: a necessidade, para não dizer a ansiedade, de conhecer rapidamente, para não colocar de modo superficial, tudo o que for possível em apenas um livro, quero dizer, em algumas folhas. Que tal um e-mail? Isso pode ser bom para um manual de televisão... Hum, vejamos como funciona... Onde está a tecla que liga?... Interessante como criamos o hábito de ler o manual antes de observar o produto; curioso como a primeira pergunta de um aluno é se haverá apostila, como se ela substituísse as centenas de explicações que um professor pode dar. Você mesmo deve ter ido para o meio deste livro antes de ler este prefácio, não é verdade?

Você pode estar refletindo: "Ora, não tenho tempo para nada! Acordo, vou trabalhar, almoço, sigo para o colégio e, quando chego, ainda tenho que conversar com minha família; no final de semana, tenho que namorar, conversar com os amigos, sair, ir ao cinema, festas... Não, não tenho tempo..."

Concordo que um dos grandes problemas do homem moderno é a necessidade de assimilar rapidamente a avalanche de informações que transformam o mundo social, científico ou tecnológico todos os dias; sem conter a extenuante administração da vida pessoal, familiar e profissional que forçou os conceitos esotéricos e a devoção religiosa a estarem em segundo plano. Com certeza, de um lado isso proporciona benefícios para a sociedade, pois conseguimos desenvolver um ritmo frenético de criação tecnológica que gera melhorias para o bem-estar social e maior expectativa de vida. Podemos perceber que em menos de um século conseguimos acumular conhecimentos científicos que raramente outra sociedade antiga tenha obtido. Contudo, esse ritmo acelerado e o crescente ceticismo e/ou falta absoluta de pesquisa filosófica criaram, infelizmente, alguma deturpação no aprendizado das ciências ocultas e, consequentemente, no seu ensino e literatura.

E é a esse exato ponto que desejo chegar: à superficialidade que atingiu o estudo das ciências ocultas no século XX. O ritmo acelerado fez com que se criassem muitos resumos e, com isso, o conhecimento simbólico foi se fragmentando até o ponto em que a maioria dos estudantes de ocultismo não quer mais pensar e extrair novos conceitos. Embora nunca se tenha escrito tanto sobre esoterismo como nos últimos tempos, mais da metade dessa produção pode ser desconsiderada, pois são compilações, pontos de vista e/ou obras repetitivas com as mesmas informações básicas; raramente se encontra algo inovador, revolucionário e/ou evolutivo que acrescente conhecimento e/ou desenvolva novas técnicas e teorias. Tudo bem, concordo que para o leitor iniciante seja fundamental encontrar uma obra esotérica com referências básicas, mas essa mesma pessoa desejará algo mais profundo, mais esclarecedor ou metafísico em sua próxima leitura, não é verdade?

Neste livro, o leitor iniciante encontra um forte embasamento que vai além da numerologia convencional, e aquele que já ingressou nas leituras do gênero e/ou é iniciado encontra as estruturas ocultas dos números. Um dos grandes méritos desta obra é não se fixas nas famosas tabelas de conversão para a personalidade ou relacionamento, conseguindo relacionar novas considerações sobre a numerologia e nos deixar mais uma possibilidade de estudo na analogia com a cabala, o tarô e a astrologia.

Um dado interessante para os magistas de qualquer segmento que estão acostumados com os básicos diagramas da Árvore da Vida apresentados em qualquer livro e que seguem à risca cada palavra de sua ordem: eles podem se surpreender com a revelação de estruturas subliminares dos quatro elementos, publicados em raras obras, mas que estão implícitas em todos os rituais, é só parar e pensar.

A natureza do presente trabalho deixa claro que o autor não se deteve perante o efeito colateral que a modernidade causou ao esoterismo urbano: o parco conhecimento e a passividade filosófica. Essa fabulosa condição traduz que sua mente esteve continuamente conectada ao mundo mágico e espiritual, extraindo um novo prisma para a utilização dos números. Quem sabe não tenha ultrapassado as fronteiras de seus próprios mestres ou de alguma ordem a que tenha pertencido? Afinal, esta é a função do autoconhecimento: evolução."

Nei Naiff, primavera de 2002

(Nei Naiff é tarólogo, astrólogo e escritor. Seu site fica AQUI)


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