6 de set de 2011

As desventuras de Síntese 4 no ano Ano Pessoal 4 featuring Arcano 13: Parte III


Continuemos então com a sessão de expurgo de traumas de uma pessoa cuja síntese numerológica é 4, vivendo um ano pessoal 4.
   Quem conhece numerologia sabe que o número 4 representa firmeza, estabilidade, construção, fundação, estrutura, trabalho, mas também restrição, burocracia, lentidão, atraso, enguiço. Vejo claramente os aspectos positivos de enraizamento e desenvolvimento de estruturas estáveis no ano que passou (entre agosto de 2010 e agosto de 2011). Mas a condensação de aspectos desagradáveis que relato nesta série de posts foi um fato facilmente perceptível durante esse período regido por 4, e isso se deve, creio eu, a dois fatores: primeiro, o fato de eu já ter uma síntese 4 (o que enfatiza e condensa tantos os aspectos positivos quanto os negativos do número, gerando, em ambos os casos, um exagero que resulta em eventos indesejáveis); segundo, minha predisposição particularmente desfavorável a vários aspectos básicos do número 4 como símbolo, tais como conservadorismo, hierarquia, morosidade, burocracia. Não tenho dúvidas de que minha inépcia no trato com esses temas dificultou mais ainda o processo.
   Em “O Livro dos Números” descrevo assim o simbolismo do número 4:

Analogias: Solidez, organização, racionalização, restrição, trabalho, retidão, confiabilidade, honestidade, paciência, lentidão, praticidade, tradicionalismo, imutabilidade, preconceito, repressão, retardamento, ignorância, limitação, violência súbita, cinza, quadrado, terra, o(a) trabalhador(a).

Análise: Do nada (0) vem a unidade primordial (1), a qual foi feita (2) gerando contrastes — os quais vêm a ser harmonizados pelo equilíbrio de opostos (3). Mas era extremamente necessário, contudo, que todo o fluxo criativo fosse transformado em algo prático, funcional, o que não estava ocorrendo devido à falta de organização — o arquétipo de 3 representa a flutuação e a fluidez de idéias, sem registro ou método que explore os potenciais e descobertas. Para 3, a organização seria a morte. Para 4, é um prazer. Isto fica claro quando reparamos que há 4 triângulos dentro de um quadrado — um dos símbolos de 4. Se pusermos um X dentro do quadrado vemos como o arquétipo de 4 representa uma evolução em relação ao de 3 — evolução natural, não denotando aqui superioridade em termos de qualidade, assim como a criança não é inferior nem superior ao adulto, mas apenas uma etapa diversa dentre as várias pelas quais uma vida humana pode passar. Esta característica metódica alude às qualidades de organização e bloqueio. Sistemático, persistente, 4 é um número par, de natureza yin e sensível, mas ainda assim uma personalidade meticulosa e repetitiva.  É como a água mole que bate na pedra dura por décadas, fazendo finalmente um buraco na rocha através de sua enorme persistência. O número 4 representa o momento em que a pessoa deve ser firme no que diz respeito aos seus propósitos. Este é o número que representa a fundação na qual tudo se baseia. É por isso que o elemento de 4 é a terra, representando uma pessoa racional e com os “pés no chão”, de temperamento estável, mas perigoso caso perca o controle e irrompa em emoções violentas. Assim como outros números yin, 4 é conservador, e prefere passar por caminhos já trilhados e testados a tomar a frente do desbravamento. Às vezes é difícil para a pessoa do tipo 4 largar a tendência de classificar tudo e não reconhecer pessoas e coisas singulares — uma tendência a ser tão absolutamente “normal” que beira a anormalidade.
   De maneira geral, o número 4 indica confiabilidade de caráter. É o sal da terra, o artesão. No corpo humano, 4 é ligado à base do corpo — as pernas e pés. A própria organização do mundo ocorre num ciclo de 4: há quatro estações (primavera, verão, outono, inverno); 4 pontos cardinais (leste, oeste, norte, sul); 4 elementos (fogo, água, ar, terra); 4 estados essenciais (quente, molhado, frio e seco); 4 operações matemáticas básicas (adição, subtração, multiplicação, divisão); 4 mundos cabalísticos (os mundos de emanação, criação, formulação e ação); 4 temperamentos (sanguíneo, linfático, bilioso, nervoso) e muitas outras associações que podemos observar no dia a dia e na linguagem. Trismegistos teria escrito:

     Seu pai é o Sol; / Sua mãe é a Lua; / O vento o carrega em seu ventre / E a terra é sua nutriz. (Ruth Phelps, Simbolismo dos Números, Biblioteca Rosacruz)

   As principais composições para este número são 13 e 31. Todos conhecem a má fama do número 13. É certo que 13 simboliza morte e corte, mas estes termos soam tenebrosos apenas para ouvidos materialistas acostumados a entender a morte como um fim ao invés de como uma transformação. O que para a lagarta é morte, para a borboleta é o nascimento. O nascimento humano é a morte da alma, ao passo que a morte humana é o renascimento da alma. Por isso pede-se, em Liber AL, que tenhamos uma festa para o nascimento, mas uma festa ainda maior para a morte. O número 13 é a projeção da vontade de 1 através da dinâmica criativa de 3, resultando em um tipo mais inquieto de Quatro — o que traz em si uma contradição, pois a natureza essencial de Quatro é estável. Pode vir como uma vibração de preguiça e pessimismo, os piores aspectos da Personalidade Quatro — além de seu moralismo intrínseco. A separação faz parte do crescimento, mas se o arquétipo de 13 for desenvolvido em seu sentido involutivo tenderá ao medo e à degradação. A mensagem é: mate para não ser morto. O número 13 freqüentemente indica o medo da morte, medo exagerado de perda que pode mesmo chegar à obsessão por tais assuntos. Pode ser um número positivo caso a pessoa em questão possua reflexos e pensamentos ágeis, e principalmente não seja preguiçosa ou lenta demais.
   Por outro lado, o número 31 representa algo um pouco mais complicado, pois simboliza um grande obstáculo, um muro enorme, uma montanha a ser escalada, a Noite Negra da Alma que vem antes do Áureo Alvorecer. A criança (3) deve cruzar sozinha (1) o grande obstáculo  (4). A criança representa todos nós em nossos momentos de decisão. Este número pode indicar grande poder e a coragem perante uma obstrução arquetípica, mas também representa grande frustração e bloqueio quando tememos e aceitamos a obstrução, já que esta não é senão uma Iniciação. Seu comportamento durante a Iniciação determinará suas conquistas ou complicações kármicas, ou seja, todo o processo de causa e efeito. Se fizermos a adição teosófica de 4, 13, ou 31, veremos que todos resultam em algum número de origem de 1. Por isso 4 é um número passivo, ainda que resoluto.     

Princípio positivo: Dedicação
O que seria do mundo sem o caráter laborioso e empreendedor das Personalidades 4? São estas pessoas do tipo 4 que metem a mão na massa para construir os edifícios, as máquinas, para fazer as cidades e os campos produzirem. O canto da cigarra é belo, mas quem constrói o violão que ela toca enquanto canta foi uma formiga, ou seja, uma Personalidade 4. Além disso, são normalmente pessoas altamente confiáveis, devido à sua natureza avessa a futricas e veleidades.
   
Princípio negativo: Obsessão
É aquela coisa: o trabalho é necessário e edifica o ser humano, mas o que pode ser mais chato que uma pessoa que nunca tem tempo para uma brincadeira, para relaxar, contemplar, não fazer nada? O trabalho exige descanso, tanto quanto o descanso tranqüilo é a paga justa e merecida pelo trabalho empreendido.

Espiritualidade — Conservadores e religiosos, costumam seguir os costumes sem questioná-los. Estas pessoas têm um papel decisivo na conservação e transmissão dos costumes, que é o que forma as culturas com suas respectivas peculiaridades. Contudo, estes mesmos ortodoxos podem acabar provocando guerras e desentendimentos que perduram e reverberam há séculos. A religião, a congregação, tão caros ao número 4, pode tanto re-ligar ao cerne divino quanto desvirtuar totalmente do caminho através do fanatismo e conservadorismo radical.
 
Relacionamentos — Devido à confiança que inspira aos amigos, colegas e amantes, a Personalidade 4 costuma ter relacionamentos sólidos e duradouros. Costuma ser o pilar de sustentação e o administrador das crises tanto em casa quanto no trabalho. Mas não se engane: apesar de sua disponibilidade em ouvir e orientar, um número 4 que se preza não perde tempo com veleidades, e só desenvolve laços de amizade com gente que considera “séria”, nas quais sabe poder confiar. Entretanto, há muitos indivíduos do tipo 4 que sofrem de uma sanha reformadora que os leva a ligar-se a pessoas absolutamente instáveis para tentar reconduzi-las ao “bom caminho” — raramente conseguem.
 
Profissão  — Pessoas do tipo 4 lidam bem com hierarquia e burocracia, o que os valoriza enormemente no trabalho em empresas. Atividades que envolvem organização, discriminação, repetição mecânica e grande espírito de sacrifício pelo trabalho são as mais indicadas para as Personalidades 4, que gostam de se sentir úteis e de assumir responsabilidades. Também trabalhos em que se lide com a terra, seja na superfície ou no subsolo, são aconselháveis, bem como as áreas de construção e demolição (esta última especialmente indicada para os números 4 que se originam de 16). Profissões indicadas: Fazendeiro, agricultor, geólogo, militar, construtor, arquiteto, engenheiro, administrador, bibliotecário, mecânico, escultor, político, demolidor.   

Saúde  —   A saúde costuma ser firme, com bom sistema imunológico, mas suscetível a problemas com os pés e coluna. Muitas vezes também sofre de tensão e seus problemas derivados como enxaquecas, gastrites, etc. Contudo, sua natureza resistente é um grande trunfo quando a saúde é abalada.

   Mea culpa feito e simbolismo aprofundado, voltemos aos eventos. No final de janeiro, fiz outra procuração, em nome de outro funcionário do escritório de contabilidade, para que fossem tomadas as seguintes medidas: 1) cancelar a empresa impropriamente criada pela macambúzia funcionária agora aposentada; 2) regularizar meu CNPJ como MEI; 3) me ensinar a passar nota fiscal; 4) conseguir o estorno das taxas pagas indevidamente em função da empresa que jamais pedi para abrir. To make a long story short, em fevereiro nada acontece no Brasil, mesmo não tendo Carnaval neste mês e sim no começo de março, como foi o caso. Entre idas e vindas por demais maçantes e desinteressantes para detalhar aqui, até o mês de maio — sim, maio — nada se resolveu, mais taxas vieram, e o funcionário em questão parecia saber menos do que eu como proceder. Até que o mesmo funcionário que estava originalmente tratando do meu caso e havia saído do escritório foi readmitido. Em um mês comecei a ver alguns resultados, enfim: o CNPJ foi regularizado, pude receber pelo trabalho já feito e aceitar novos trabalhos de tradução da editora em questão, e o escritório reconheceu oficialmente que o funcionário que ficou com meu caso entre fevereiro e maio cometeu erros, sim, e se prontificou a repará-los. Muito bem.
   Já era maio e eu já havia perdido o Dia da Rainha na Holanda. Então me programei para viajar em agosto. Depois de tantas confirmações de que o ano pessoal 4 não era o melhor momento para viajar, achei por bem viajar para a Holanda ainda durante o ano 4, fazer meu aniversário por lá e voltar já no começo de meu ano pessoal 5.
   Peguei o baralho de Tarô de Thoth francês que ganhei de uma ex-aluna de numerologia duas décadas atrás e resolvi fazer (mais uma) consulta referente à minha viagem. Todas as vezes que joguei tarô para tentar finalmente marcar a viagem, alguma coisa indicava atraso e cancelamento, o que de fato aconteceu. Eu não queria me deixar guiar por previsões, mas também não queria forçar a barra, dar murro em ponta de faca.
   Desta vez saíram arcanos como O Carro (VII), indicando que a tendência era de fato viajar sim, mas também saíram os arcanos A Torre (XVI) e Morte (XIII).
   Eu jogo tarô para mim mesmo com saudável frequência. As melhores leituras de tarô, ao meu ver, são as silenciosas. O diálogo entre o consulente/consultor e as cartas se traduz em sua plenitude sem palavras, sem escrita, sem fala. Considero que o objetivo final do estudioso de tarô é ler as cartas para si mesmo, dispensando consultores — o que NÃO significa que o trabalho do consultor seja dispensável. O que estou dizendo é que, assim como a pessoa que faz terapia com um terapeuta almeja receber alta, quem estuda o tarô almeja (ou deveria almejar, penso eu) uma relação direta com o oráculo. Eu mesmo sou um consultor de tarô (tendo sido mais ativo nesta atividade durante a década de 90), portanto não estou diminuindo a função que eu mesmo exerço, apenas fazendo minha ode ao objetivo final do estudo oracular, que é consultá-lo sem intermediários.
   O jogo em questão me fez sentir que aquela combinação de Torre com Morte iria marcar profundamente minha viagem. Fiquei angustiado, imaginando mil ocorrências aziagas. Mas não me deixei paralisar e viajei assim mesmo.
   No próximo post, a quarta e última parte de minha narrativa. See ya!

Texto de Johann Heyss. Não reproduza sem mencionar o autor e o blog.

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