6 de set de 2011

As desventuras de Síntese 4 no ano Ano Pessoal 4 featuring Arcano 13: Parte III


Continuemos então com a sessão de expurgo de traumas de uma pessoa cuja síntese numerológica é 4, vivendo um ano pessoal 4.
   Quem conhece numerologia sabe que o número 4 representa firmeza, estabilidade, construção, fundação, estrutura, trabalho, mas também restrição, burocracia, lentidão, atraso, enguiço. Vejo claramente os aspectos positivos de enraizamento e desenvolvimento de estruturas estáveis no ano que passou (entre agosto de 2010 e agosto de 2011). Mas a condensação de aspectos desagradáveis que relato nesta série de posts foi um fato facilmente perceptível durante esse período regido por 4, e isso se deve, creio eu, a dois fatores: primeiro, o fato de eu já ter uma síntese 4 (o que enfatiza e condensa tantos os aspectos positivos quanto os negativos do número, gerando, em ambos os casos, um exagero que resulta em eventos indesejáveis); segundo, minha predisposição particularmente desfavorável a vários aspectos básicos do número 4 como símbolo, tais como conservadorismo, hierarquia, morosidade, burocracia. Não tenho dúvidas de que minha inépcia no trato com esses temas dificultou mais ainda o processo.
   Em “O Livro dos Números” descrevo assim o simbolismo do número 4:

Analogias: Solidez, organização, racionalização, restrição, trabalho, retidão, confiabilidade, honestidade, paciência, lentidão, praticidade, tradicionalismo, imutabilidade, preconceito, repressão, retardamento, ignorância, limitação, violência súbita, cinza, quadrado, terra, o(a) trabalhador(a).

Análise: Do nada (0) vem a unidade primordial (1), a qual foi feita (2) gerando contrastes — os quais vêm a ser harmonizados pelo equilíbrio de opostos (3). Mas era extremamente necessário, contudo, que todo o fluxo criativo fosse transformado em algo prático, funcional, o que não estava ocorrendo devido à falta de organização — o arquétipo de 3 representa a flutuação e a fluidez de idéias, sem registro ou método que explore os potenciais e descobertas. Para 3, a organização seria a morte. Para 4, é um prazer. Isto fica claro quando reparamos que há 4 triângulos dentro de um quadrado — um dos símbolos de 4. Se pusermos um X dentro do quadrado vemos como o arquétipo de 4 representa uma evolução em relação ao de 3 — evolução natural, não denotando aqui superioridade em termos de qualidade, assim como a criança não é inferior nem superior ao adulto, mas apenas uma etapa diversa dentre as várias pelas quais uma vida humana pode passar. Esta característica metódica alude às qualidades de organização e bloqueio. Sistemático, persistente, 4 é um número par, de natureza yin e sensível, mas ainda assim uma personalidade meticulosa e repetitiva.  É como a água mole que bate na pedra dura por décadas, fazendo finalmente um buraco na rocha através de sua enorme persistência. O número 4 representa o momento em que a pessoa deve ser firme no que diz respeito aos seus propósitos. Este é o número que representa a fundação na qual tudo se baseia. É por isso que o elemento de 4 é a terra, representando uma pessoa racional e com os “pés no chão”, de temperamento estável, mas perigoso caso perca o controle e irrompa em emoções violentas. Assim como outros números yin, 4 é conservador, e prefere passar por caminhos já trilhados e testados a tomar a frente do desbravamento. Às vezes é difícil para a pessoa do tipo 4 largar a tendência de classificar tudo e não reconhecer pessoas e coisas singulares — uma tendência a ser tão absolutamente “normal” que beira a anormalidade.
   De maneira geral, o número 4 indica confiabilidade de caráter. É o sal da terra, o artesão. No corpo humano, 4 é ligado à base do corpo — as pernas e pés. A própria organização do mundo ocorre num ciclo de 4: há quatro estações (primavera, verão, outono, inverno); 4 pontos cardinais (leste, oeste, norte, sul); 4 elementos (fogo, água, ar, terra); 4 estados essenciais (quente, molhado, frio e seco); 4 operações matemáticas básicas (adição, subtração, multiplicação, divisão); 4 mundos cabalísticos (os mundos de emanação, criação, formulação e ação); 4 temperamentos (sanguíneo, linfático, bilioso, nervoso) e muitas outras associações que podemos observar no dia a dia e na linguagem. Trismegistos teria escrito:

     Seu pai é o Sol; / Sua mãe é a Lua; / O vento o carrega em seu ventre / E a terra é sua nutriz. (Ruth Phelps, Simbolismo dos Números, Biblioteca Rosacruz)

   As principais composições para este número são 13 e 31. Todos conhecem a má fama do número 13. É certo que 13 simboliza morte e corte, mas estes termos soam tenebrosos apenas para ouvidos materialistas acostumados a entender a morte como um fim ao invés de como uma transformação. O que para a lagarta é morte, para a borboleta é o nascimento. O nascimento humano é a morte da alma, ao passo que a morte humana é o renascimento da alma. Por isso pede-se, em Liber AL, que tenhamos uma festa para o nascimento, mas uma festa ainda maior para a morte. O número 13 é a projeção da vontade de 1 através da dinâmica criativa de 3, resultando em um tipo mais inquieto de Quatro — o que traz em si uma contradição, pois a natureza essencial de Quatro é estável. Pode vir como uma vibração de preguiça e pessimismo, os piores aspectos da Personalidade Quatro — além de seu moralismo intrínseco. A separação faz parte do crescimento, mas se o arquétipo de 13 for desenvolvido em seu sentido involutivo tenderá ao medo e à degradação. A mensagem é: mate para não ser morto. O número 13 freqüentemente indica o medo da morte, medo exagerado de perda que pode mesmo chegar à obsessão por tais assuntos. Pode ser um número positivo caso a pessoa em questão possua reflexos e pensamentos ágeis, e principalmente não seja preguiçosa ou lenta demais.
   Por outro lado, o número 31 representa algo um pouco mais complicado, pois simboliza um grande obstáculo, um muro enorme, uma montanha a ser escalada, a Noite Negra da Alma que vem antes do Áureo Alvorecer. A criança (3) deve cruzar sozinha (1) o grande obstáculo  (4). A criança representa todos nós em nossos momentos de decisão. Este número pode indicar grande poder e a coragem perante uma obstrução arquetípica, mas também representa grande frustração e bloqueio quando tememos e aceitamos a obstrução, já que esta não é senão uma Iniciação. Seu comportamento durante a Iniciação determinará suas conquistas ou complicações kármicas, ou seja, todo o processo de causa e efeito. Se fizermos a adição teosófica de 4, 13, ou 31, veremos que todos resultam em algum número de origem de 1. Por isso 4 é um número passivo, ainda que resoluto.     

Princípio positivo: Dedicação
O que seria do mundo sem o caráter laborioso e empreendedor das Personalidades 4? São estas pessoas do tipo 4 que metem a mão na massa para construir os edifícios, as máquinas, para fazer as cidades e os campos produzirem. O canto da cigarra é belo, mas quem constrói o violão que ela toca enquanto canta foi uma formiga, ou seja, uma Personalidade 4. Além disso, são normalmente pessoas altamente confiáveis, devido à sua natureza avessa a futricas e veleidades.
   
Princípio negativo: Obsessão
É aquela coisa: o trabalho é necessário e edifica o ser humano, mas o que pode ser mais chato que uma pessoa que nunca tem tempo para uma brincadeira, para relaxar, contemplar, não fazer nada? O trabalho exige descanso, tanto quanto o descanso tranqüilo é a paga justa e merecida pelo trabalho empreendido.

Espiritualidade — Conservadores e religiosos, costumam seguir os costumes sem questioná-los. Estas pessoas têm um papel decisivo na conservação e transmissão dos costumes, que é o que forma as culturas com suas respectivas peculiaridades. Contudo, estes mesmos ortodoxos podem acabar provocando guerras e desentendimentos que perduram e reverberam há séculos. A religião, a congregação, tão caros ao número 4, pode tanto re-ligar ao cerne divino quanto desvirtuar totalmente do caminho através do fanatismo e conservadorismo radical.
 
Relacionamentos — Devido à confiança que inspira aos amigos, colegas e amantes, a Personalidade 4 costuma ter relacionamentos sólidos e duradouros. Costuma ser o pilar de sustentação e o administrador das crises tanto em casa quanto no trabalho. Mas não se engane: apesar de sua disponibilidade em ouvir e orientar, um número 4 que se preza não perde tempo com veleidades, e só desenvolve laços de amizade com gente que considera “séria”, nas quais sabe poder confiar. Entretanto, há muitos indivíduos do tipo 4 que sofrem de uma sanha reformadora que os leva a ligar-se a pessoas absolutamente instáveis para tentar reconduzi-las ao “bom caminho” — raramente conseguem.
 
Profissão  — Pessoas do tipo 4 lidam bem com hierarquia e burocracia, o que os valoriza enormemente no trabalho em empresas. Atividades que envolvem organização, discriminação, repetição mecânica e grande espírito de sacrifício pelo trabalho são as mais indicadas para as Personalidades 4, que gostam de se sentir úteis e de assumir responsabilidades. Também trabalhos em que se lide com a terra, seja na superfície ou no subsolo, são aconselháveis, bem como as áreas de construção e demolição (esta última especialmente indicada para os números 4 que se originam de 16). Profissões indicadas: Fazendeiro, agricultor, geólogo, militar, construtor, arquiteto, engenheiro, administrador, bibliotecário, mecânico, escultor, político, demolidor.   

Saúde  —   A saúde costuma ser firme, com bom sistema imunológico, mas suscetível a problemas com os pés e coluna. Muitas vezes também sofre de tensão e seus problemas derivados como enxaquecas, gastrites, etc. Contudo, sua natureza resistente é um grande trunfo quando a saúde é abalada.

   Mea culpa feito e simbolismo aprofundado, voltemos aos eventos. No final de janeiro, fiz outra procuração, em nome de outro funcionário do escritório de contabilidade, para que fossem tomadas as seguintes medidas: 1) cancelar a empresa impropriamente criada pela macambúzia funcionária agora aposentada; 2) regularizar meu CNPJ como MEI; 3) me ensinar a passar nota fiscal; 4) conseguir o estorno das taxas pagas indevidamente em função da empresa que jamais pedi para abrir. To make a long story short, em fevereiro nada acontece no Brasil, mesmo não tendo Carnaval neste mês e sim no começo de março, como foi o caso. Entre idas e vindas por demais maçantes e desinteressantes para detalhar aqui, até o mês de maio — sim, maio — nada se resolveu, mais taxas vieram, e o funcionário em questão parecia saber menos do que eu como proceder. Até que o mesmo funcionário que estava originalmente tratando do meu caso e havia saído do escritório foi readmitido. Em um mês comecei a ver alguns resultados, enfim: o CNPJ foi regularizado, pude receber pelo trabalho já feito e aceitar novos trabalhos de tradução da editora em questão, e o escritório reconheceu oficialmente que o funcionário que ficou com meu caso entre fevereiro e maio cometeu erros, sim, e se prontificou a repará-los. Muito bem.
   Já era maio e eu já havia perdido o Dia da Rainha na Holanda. Então me programei para viajar em agosto. Depois de tantas confirmações de que o ano pessoal 4 não era o melhor momento para viajar, achei por bem viajar para a Holanda ainda durante o ano 4, fazer meu aniversário por lá e voltar já no começo de meu ano pessoal 5.
   Peguei o baralho de Tarô de Thoth francês que ganhei de uma ex-aluna de numerologia duas décadas atrás e resolvi fazer (mais uma) consulta referente à minha viagem. Todas as vezes que joguei tarô para tentar finalmente marcar a viagem, alguma coisa indicava atraso e cancelamento, o que de fato aconteceu. Eu não queria me deixar guiar por previsões, mas também não queria forçar a barra, dar murro em ponta de faca.
   Desta vez saíram arcanos como O Carro (VII), indicando que a tendência era de fato viajar sim, mas também saíram os arcanos A Torre (XVI) e Morte (XIII).
   Eu jogo tarô para mim mesmo com saudável frequência. As melhores leituras de tarô, ao meu ver, são as silenciosas. O diálogo entre o consulente/consultor e as cartas se traduz em sua plenitude sem palavras, sem escrita, sem fala. Considero que o objetivo final do estudioso de tarô é ler as cartas para si mesmo, dispensando consultores — o que NÃO significa que o trabalho do consultor seja dispensável. O que estou dizendo é que, assim como a pessoa que faz terapia com um terapeuta almeja receber alta, quem estuda o tarô almeja (ou deveria almejar, penso eu) uma relação direta com o oráculo. Eu mesmo sou um consultor de tarô (tendo sido mais ativo nesta atividade durante a década de 90), portanto não estou diminuindo a função que eu mesmo exerço, apenas fazendo minha ode ao objetivo final do estudo oracular, que é consultá-lo sem intermediários.
   O jogo em questão me fez sentir que aquela combinação de Torre com Morte iria marcar profundamente minha viagem. Fiquei angustiado, imaginando mil ocorrências aziagas. Mas não me deixei paralisar e viajei assim mesmo.
   No próximo post, a quarta e última parte de minha narrativa. See ya!

Texto de Johann Heyss. Não reproduza sem mencionar o autor e o blog.

2 de set de 2011

As desventuras de Síntese 4 no ano Ano Pessoal 4 featuring Arcano 13: Parte II


A situação, em resumo, era a seguinte: eu não estava regularizado como MEI — logo, não podia emitir nota fiscal. Não podendo emitir nota fiscal, não podia receber pelo trabalho já feito e nem aceitar outros trabalhos para a referida editora. Por outro lado, estava regularizado como microempresa — coisa que jamais solicitei e que a macambúzia funcionária da prefeitura, por falta de robustez cerebral ou mero desejo de zoar, me fez solicitar — e recebendo, e tendo de pagar, todas as taxas extorsivas, pois caso não pagasse, as multas e juros se acumulariam.

Peraí, você pode pensar. Como assim a prestimosa funcionária da solícita prefeitura do Rio de Janeiro o fez solicitar uma licença para funcionar como microempresa? Bem, a resposta é simples. Sou retardado em se tratando de burocracia. Cláusulas e leis me deixam tonto, principalmente quando elas significam que no final serei extorquido. Ciente de minha limitação, levei os inequívocos e-mails da contadora da editora, que deixavam claro que eu procurava me regularizar como MEI e que a única coisa que estava pegando era o meu endereço — antigo, pois eu havia inclusive me mudado. Alertei a sorumbática senhora que eu não entendia nada do assunto e que estava lá em busca de orientação. Talvez seja ingenuidade minha esperar que funcionários da prefeitura sustentada com dinheiro de impostos que eu também pago estivessem lá para me servir, já que ela recebe salário e demais direitos trabalhistas em troca deste serviço. Mas eu pensei mesmo que, ao deixar claro que eu queria apenas resolver a pendência do meu endereço para regularizar meu cadastro como microempreendedor individual, estivesse claro também que eu não estava, em absoluto, querendo abrir uma microempresa.

Quando voltei ao órgão da prefeitura “da minha área” (moro em Santa Teresa, o escritório em questão fica na Tijuca — quando foi que Santa Teresa e Tijuca passaram a compartilhar a mesma “área”?) para pegar meu CNPJ, após achar ter feito tudo que me era requerido para resolver a maldita pendência, a jururu senhora lá não mais estava. Aposentara-se, ao que parece. E me deixara uma bela microempresa — que beleza, eu poderia contratar até dois funcionários. Eu, um tradutor e escritor, com dois funcionários. Quem sabe um para segurar o livro, outro para servir o café. Chocado, expliquei ao funcionário que agora me atendia que não era nada disso que eu havia solicitado. A editora, por sua vez, mal conseguia acreditar na kafkiana situação, pois já haviam ajudado a muitos tradutores com o mesmo processo sem maiores dificuldades. O funcionário me disse que o que eu poderia fazer era pedir cancelamento imediato, mas aí dependeria do juiz. Assinei na hora um documento pedindo cancelamento. Aí já estamos em outubro de 2010, segundo mês de meu ano pessoal 4. Sim, e eu tenho 4 também como número de síntese no mapa numerológico.

Em dezembro, recebo várias guias para pagamento de taxas da “minha” microempresa. Resolvo, enfim, procurar um escritório de contabilidade — um que me foi recomendado, de confiança, como manda o figurino. Um dos rapazes que trabalha para o escritório em questão se incumbe de meu caso e me diz que em questão de um mês deve estar tudo resolvido. Muito bem, então é Natal, a festa cristããã e tudo já fica brega e insuportável demais, procuro esquecer essa problemática toda, esquecer que estou em PLENO ano pessoal 4 e começo a planejar minha viagem para Amsterdam — supostamente eu viajaria em janeiro, para fugir do abominável verão carioca e curtir uma gezelligheid cheia de neve e chuva no meu canto favorito do mundo. Mas não dava para viajar depois da grana que tive de pagar em impostos. Empurrei a viagem para abril: ia festejar o Dia da Rainha entre meus amigos amsterdammers. Na verdade odeio todo tipo de monarquia — a única rainha a quem me curvo é Yoko Ono, The Queen of Noise — mas todos me dizem que o Dia da Rainha é mera desculpa para os holandeses saírem pelas ruas mucho locos curtindo a vida adoidado, o que soa como música para meus ouvidos. Eu procurei não ouvir a voz que vinha do fundo da minha mente, dizendo ano 4 não é bom para viajar, ano 4 não é bom para viajar, ano 4 não é bom para viajar... Ora, se fosse pensar assim, ninguém viajaria em ano 4, argumentei comigo mesmo, fingindo não saber que o ano 4 não impede a viagem de acontecer, apenas imprime a ela determinadas qualidades e características...

No final de janeiro, telefono para o escritório de contabilidade, pronto para receber a grande notícia de que meu CNPJ estava regularizado e eu podia receber o dinheiro da tradução já feita e aceitar novos livros para traduzir. Yes! Eu ia enfiar o pé na jaca holandesa em honra à Rainha Beatrix em abril! Mas... FUEIN FUEIN FUEIN!!!
— Lamentamos informar que o funcionário que estava cuidando do seu caso se desligou do escritório, estamos na estaca zero — disse o dono do escritório em questão, um senhor de seus sessenta e poucos anos, grisalho, baixinho e gorducho. Até me lembrava um pouco meu falecido pai. — O senhor precisa passar aqui para assinar outra procuração para o funcionário que vai assumir seu caso, senão não podemos agir.
— Ahn? Como assim? Por que não me avisaram antes? Eu podia ter providenciado isso logo! O combinado era que em final de janeiro estaria tudo resolvido ou pelo menos encaminhado.
— Por que o senhor não ligou para fazer o acompanhamento do caso?

Era inútil discutir. Claro que me senti ultrajado! Quer dizer que eu é que teria de ficar no pé deles para eles realizarem seu trabalho? Sei lá, eu não gosto que fiquem me ligando todo dia para perguntar se a tradução está pronta, a não ser que o prazo esteja expirando ou já tenha se expirado. Que tipo de profissional sugere que é preciso ficar ligando para ele que se “lembre” de cumprir sua parte do acordo? Onde estamos? Que mundo é esse? Que time é teu? Minha vontade era mandar o escritório inteiro passear em campos floridos ao som de doces canções, mas respirei fundo e resolvi passar lá e assinar outra procuração. Trocar de escritório a essa altura já seria mais complicado. E o escritório fora bem recomendado, desonestos eu sei que não eram. O ideal seria prezarem também pela competência, mas em Terra Brasilis, sabe como é, honestidade não é tudo mas é 100%.

Prontos para a terceira parte de minha patética epopeia? Eu preciso dar uma respirada. Contar a história de um ano pessoal 4 de cabo a rabo não é tarefa das mais fáceis, e eu nem pratico natação, acho um esporte confuso. Amanhã solto aqui a parte III — que nem será a última, aviso logo.

Dag!

Texto de Johann Heyss. Não reproduza sem mencionar o autor e o blog.

As desventuras de Síntese 4 no ano Ano Pessoal 4 featuring Arcano 13: Parte I



Então. Pois é. O Ano Pessoal 4.
Segundo eu mesmo no livro O que é numerologia, o ano pessoal 4 “é o momento de trabalhar duro para fortificar, estimular, fazer crescer, construir os fundamentos, a estabilidade, a base de tudo. Este é um momento crítico, a hora de ser rigoroso consigo mesmo e com os que o cercam. Não é hora de perder tempo com amenidades ou conversa fiada, deve-se ir direto ao assunto e ter método, planejamento, rigor. Entre a diversão e o dever, prefira o dever. Há uma sensação de frustração natural à dureza do período, mas dentro de um contexto mais amplo todo esforço laborioso e bem direcionado será bem recompensado em momentos futuros. Quando a pressão for muito intensa, deve-se pensar no ano seguinte, que trará momentos de descanso. Mas não se deve cometer o erro de exagerar na dose — trabalho duro sim, estresse não, pois pode trazer até mesmo problemas de saúde. Não é bom momento para nenhuma mudança, deve-se evitar viajar; o movimento deve ser todo no sentido de estabilizar, solidificar, confirmar. É a hora ideal para todos os assuntos relacionados com casa, construção, reformas, e para lidar com todos os assuntos maçantes mas necessários, como resovler problemas burocráticos e acertar pendências econômicas, de saúde etc. Economizar é altamente recomendável”.

Sigo sempre o princípio de duvidar de tudo, por à prova, ver para crer. Se por um lado já deixei há muito tempo de questionar a eficácia da numerologia (por mais incapaz que seja de explicá-la totalmente no plano racional), por outro lado não gosto de restringir meus movimentos por causa de tendências ou previsões numerológicas (ou de tarô, astrologia — ou mesmo da medicina, que seja). Como bom cabeçudo que sou (Síntese 4 — ou melhor, 13/4) gosto de fazer as coisas que quero na hora que quero. E assim mantive os planos de viajar para a Holanda, como gosto de fazer pelo menos uma vez por ano. Mas essa viagem é literalmente o final desta viagem ao mundo do número 4 — um mundo em tons de bege.

Agora que já passou, ainda sinto um pouco da vertigem pós-passeio de montanha russa.

Tudo começou em agosto do ano passado. 42 anos. Ainda durante o ano pessoal anterior — 3 — eu fora convidado para começar a traduzir livros para duas editoras — Underworld e Fundamento. Esta última só trabalha com nota fiscal, de modo que eu precisava me registrar como MEI — microempreendedor individual. OK, eu estava mesmo precisando me regularizar, algumas empresas pedem e tal. A editora, gentil, presta assistência aos tradutores para tudo se resolver rapidamente, como costuma ser.

Menos no meu caso. Houve um problema com o meu endereço, que não fora aceito por alguma razão, e eu teria de ir pessoalmente a um órgão da prefeitura do Rio de Janeiro para resolver a pendência. E lá fui eu. Depois de esperar algum tempo na inevitável fila, fui atendido por uma senhora de aparência menos que animada e plena de apatia indisfarçada por óculos de lentes gordurosas e armação bege. Expliquei a ela que eu não entendia nada de coisa alguma, apenas precisava saber por que meu endereço não estava sendo aceito para meu registro como MEI. Eu levei uma cópia do e-mail da gentilíssima contadora da editora para eliminar qualquer chance de mal-entendido, o que era forte probabilidade caso eu tivesse de contar com meu parco entendimento do assunto para explicar minha situação à desanimada funcionária pública. Eu sou uma pessoa muito inteligente para muitas coisas, mas completamente oligofrênica para tantas outras. Deve ser a tal lei do equilíbrio. O fato é que sou burro, burrão, burraldo mesmo em se tratando de assuntos burocráticos. Por isso levei tudo copiado e impresso e anotado. Mas não adiantou.

O fato é que a mortiça senhora me fez abrir uma microempresa. E isso gerou impostos cinco vezes maiores do que a contribuição previdenciária do MEI. Eu vim a descobrir o desastre causado pela acabrunhada mulher que me atendera na prefeitura já em pleno ano pessoal 4. E como microempresa, em vez de microempresário, eu não só tinha de pagar impostos extorsivos e desnecessários, como não podia receber pela tradução já feita, posto que a editora só trabalha com nota fiscal. Eu pensei: “que merda. Problemas com documentos e burocracia, típico aborrecimento de ano 4”. Detesto me fazer de coitadinho, mas... coitado de moi! Mal sabia que aquilo era apenas um pequeno aperitivo. O chumbo grosso estava a caminho. Não perca a segunda parte deste relato, amanhã sem falta.

Goedenacht!

Texto de Johann Heyss. Não reproduza sem mencionar o autor e o blog.

1 de set de 2011

2º Fórum Nacional de Tarô e Simbologia - os vídeos

No final de semana passado tive o prazer enorme de participar do 2º Fórum Nacional de Tarô e Simbologia. Organizado, como todos sabem, pelo grande Nei Naiff, foi um evento de muito alto nível. Desde os colaboradores Vera, Alexsander e Giancarlo, até os debatedores nas mesas e a plateia, todos cumpriram bem seus papéis e tudo fluiu harmonicamente. Dá gosto ver o nível do debate sobre o assunto seguir o rumo da evolução e do esclarecimento. E é muito bom reunir pontos de vista divergentes, pois o atrito provoca faíscas, e faíscas geram fogo - ou seja, poder, conhecimento, expansão.

Para mim foi uma honra ser um dos convidados para as mesas debates junto com nomes como Pedro Camargo e Anna Maria Costa Ribeiro, que já eram verdadeiros ícones do tarô e da astrologia antes mesmo de eu lançar meu primeiro livro. Para mim a sensação foi de estrada percorrida e de orgulho.

Alguns trechos do debate na mesa de que participei foram gravados de forma despretensiosa e jogados no You Tube. Andei divulgando os links no Facebook e no Twitter, mas, para quem ainda não viu, aqui vão os eles: