29 de ago de 2010

Alguns cálculos básicos de numerologia

A interpretação do nome através da numerologia tem por base três cálculos essenciais, que são chamados Interior, Exterior e Síntese. Na verdade, não há um consenso quanto ao nome destes cálculos no multifacetado e fragmentado estudo da numerologia. Devido a isso, quando comecei a escrever sobre numerologia, resolvi rebatizar estas posições/cálculos com nomes que explicassem sua verdadeira função. A partir do Interior, do Exterior e da Síntese, podemos ter uma idéia confiável da formação da personalidade de alguém.
   O Interior representa, como diz o próprio nome, a vida interna da pessoa, seu lado afetivo, seu comportamento dentro de casa, com a família, com amigos íntimos e o tipo de personalidade que demonstra na vida amorosa. É aquele aspecto da pessoa que só quem o/a conhece na intimidade tem acesso. A soma das vogais do nome produz o número do Interior.
   Já o Exterior reflete a persona pública, a maneira como a pessoa se comporta fora de casa, ou seja, na sociedade, no trabalho, na escola, nas festas. É a primeira impressão que a pessoa causa, aquilo que os outros vêem no indivíduo ao ter contato social pela primeira vez, ou ainda aquilo que se ouve falar da pessoa, a marca que ela deixa no imaginário de quem a observa de longe. A soma das consoantes do nome produz o número do Exterior.
   A Síntese vem por fim refletir a totalidade da personalidade da pessoa, o resultado da combinação entre o que a pessoa é na intimidade e em público, o produto desta alquimia, desta mistura. Ao somar todas as letras do nome completo, ou Interior + Exterior, se chega ao número da Síntese.
   É interessante observar que algumas pessoas têm números de Interior e de Exterior totalmente contrários e opostos. Quem não conhece alguém que transmite uma certa imagem quando em público ou no trabalho, mas que se comporta de maneira totalmente diferente na intimidade do lar? Da mesma forma, há aquelas pessoas que parecem transparentes e não mudam muito seu jeito de ser, independente de estarem sendo observados por estranhos ou apenas no convívio entre os seus.
   A tabela de correlação numerológica das letras a ser usada para os cálculos é a seguinte:

1
2
3
4
5
6
7
8
9
A
J
S
B
K
T
C
L
U
D
M
V
E
N
W
F
O
X
G
P
Y
H
Q
Z
I
R


   É importante saber bem quando uma letra é de fato uma vogal ou uma consoante, para não haver erros no cálculo de Interior e Exterior.
   As vogais refletem a vida íntima do indivíduo, já que seu som é formado no interior do aparelho fonador. Ao pronunciarmos os sons de A, E, I, O e U, podemos faze-lo com a boca quase fechada, sem sons formados pelo impacto dos lábios – ou seja, sons que não se formam no exterior da boca. Desta forma, a letra W será considerada vogal em Wellington, mas será, todavia, uma consoante em Wanda. Da mesma forma, J é consoante para João, mas é vogal para Johann (J tem, neste caso, som de I).
   Vejamos agora um breve exemplo das tendências de cada número elementar e de origem (os números de 1 a 9 são chamados elementares, e os números 11 e 22 são números mestres) para as referidas posições do mapa. Evidentemente, estas são tendências básicas de cada arquétipo numérico atuando nestas posições, e uma compreensão mais profunda e abrangente – que se encontra no mapa completo - é necessária para se chegar a qualquer conclusão sobre uma personalidade. 

Interior
Número 1 – Independente, individualista, tende a comandar as relações.
Número 2 – Dependente, sensível, tende a ser conduzido e a se adaptar.
Número 3 – Alegre, criativo e de temperamento infantil para bem e mal.
Número 4 – Confiável, previsível; busca relações estáveis e sólidas, mantém tradições.
Número 5 – Sensual, imprevisível, busca novidade e aventura, reage às tradições.
Número 6 – Valoriza a família, emotivo, ciumento, apaixonado e parcial.
Número 7 – Valoriza o intelecto, racional, precisa de certo isolamento, busca o lado espiritual das coisas.
Número 8 – Pragmático, justo, objetivo, parece dominar, mas é ultra-sensível.
Número 9 – Energia extrema, ânsia, precisa de movimento e grandiosidade.
Número 11 – Voltado ao transcendental, precisa se sentir compreendido, o que é raro.
Número 22 – Voltado à realização do impossível, emocionalmente delicado apesar de resistente.

Exterior
Número 1 – Parece um pouco arrogante, pose de líder, o que direciona.
Número 2 – Posiciona-se com discrição, reflete o ambiente em que se encontra.
Número 3 – Muito comunicativo e simpático, às vezes um tanto exibido.
Número 4 – Transmite confiança e seriedade à primeira vista.
Número 5 – Parece rebelde, irônico, atraente, provocativo.
Número 6 – Transmite familiaridade e hospitalidade.
Número 7 – Parece frio e distante, transmite inteligência.
Número 8 – Desenvolvido senso de justiça e objetividade que transparece logo.
Número 9 – Pode parecer ansioso e impaciente, mas se dá bem com todo tipo de pessoa.
Número 11 – Transmite um ar de mistério e parece inatingível ou incompreensível.
Número 22 – Dá a impressão de ser alguém pronto para as mais difíceis empreitadas.

Síntese
Número 1 – Aquele que guia os outros e os representa.
Número 2 – Aquele que colabora e facilita.
Número 3 – Aquele que diverte e alegra;
Número 4 – Aquele que se responsabiliza e cumpre metas.
Número 5 – Aquele que rompe as regras e as questiona.
Número 6 – Aquele que mantém as tradições e a família.
Número 7 – Aquele que analisa de maneira científica e busca os detalhes.
Número 8 – Aquele que faz justiça e promove a prosperidade.
Número 9 – Aquele que ultrapassa e expande os limites.
Número 11 – Aquele que não se encaixa em nenhum grupo específico.
Número 22 – Aquele que tende a realizar o impossível.

   Para finalizar, gostaria de sinalizar àqueles que são familiarizados com a astrologia que o Interior cumpre o mesmo papel no mapa numerológico natal que o signo lunar cumpre no mapa astrológico natal; que o Exterior seria o correspondente numerológico ao signo ascendente; e que a Síntese representa a personalidade como um todo, assim como o signo solar.

Texto de Johann Heyss. Não reproduza sem mencionar o autor e o blog.

O Simbolismo das Letras



Na numerologia, cada letra tem seu som e seu simbolismo. Cada uma delas é relacionada a um número, e as interpretações de número e letra se confundem, evidenciando assim o vínculo entre emanações distintas de um mesmo arquétipo.

Letra A (Número 1). Dizem que esta é a letra/som mais usada na maioria dos alfabetos. É um som aberto e amplificador, representando o início, a expansão e a multiplicidade de possibilidades. Horizontes a explorar.

Letra B (Número 2).  Representa a batida, o ritmo essencial; é a percussão profunda e abissal. Tambores de guerra ou ritualísticos, bem como tímpanos solenes ou ameaçadores soam na frequência desta letra. O bater do coração em adrenalina, medo, paixão ou susto.

Letra C (Número 3).  Letra que traz em suas possibilidades sonoras a própria ambiguidade de quem combina características de seu pai (1) e sua mãe (2) arquetípicos. Por vezes, C soa como S; outras tantas como K ou Q. Tanto pode ser suave e alegre quanto impactante e agressivo, mas sempre súbito e jovial.

Letra D (Número 4). Som que enfatiza a percussão da construção, o som de pregos na madeira e de encaixe de troncos uns nos outros. O elemento terra em seu aspecto essencial.

Letra E (Número 5).  Esta letra tem um som metálico quando pronunciada de boca aberta, e soa bem gutural quando falada de boca fechada. Pode ser um cântico triste ou um alarme; pode manifestar dor ou alegria.

Letra F (Número 6).  Esta letra tem o som da respiração, ou de uma brisa contida. A letra F é como uma árvore da família, o desenvolvimento do amor e da afeição, mas também a cristalização de um desgosto.

Letra G (Número 7).  Esta letra pode soar como “guê” – o som da agressividade controlada, como um moderado ranger de dentes – ou como “gê” – um som rápido e dedicado, como uma pessoa bastante ativa, mas ainda assim dócil e pronta para colaborar. Estes aspectos diferentes da letra reforçam a surpreendente duplicidade da letra G. Também pode soar com uma espécie de R gutural na língua holandesa.

Letra H (Número 8). O som desta letra é seco e forte. Às vezes não produz qualquer som. Consequentemente, a letra H é discreta ainda que poderosa, influente apesar de introspectiva. Tem o formato de um edifício, ou mesmo de uma ponte conectando duas extremidades, delineando seu simbolismo de equilíbrio no plano material. 

Letra I (Número 9).  O som desta letra é bastante intenso, forte e às vezes alarmante ou mesmo irritante. Reflete uma pessoa em incessante atividade de corpo e mente e a fascinação pela vitalidade, podendo chegar a ponto do exagero.

Letra J (Número 10).  Um som de respiração cortada ou interrompida sugerindo energia, prontidão e cuidado. A letra J concentra em uma só personalidade um dos dois aspectos essenciais da letra G. Também pode ter a sonoridade da letra I.

Letra K (Número 11).  Uma letra forte, associada ao mito de Marte; e também a lutas, combates, revelações, descobertas, abertura, multiplicidade e determinação. Note que o influente mago inglês Aleister Crowley traçou a divisão entre a magia da velha era e a magia da nova era usando a letra K (em inglês, magic significa magia, mas Crowley rebatizou o termo como magick, o que inclui uma implicação sexual a todo o processo mágico e conduzindo a pessoa à descoberta de sua Verdadeira Vontade).

Letra L (Número 12).  O som desta letra é bastante musical, repare que quando em várias línguas se cantarola “lalalalalala”. A letra L é um símbolo de comunicação e de conquistas que resultam da diligente utilização desta qualidade: a pessoa deve falar e escrever e usar todas as formas de comunicação para alcançar o que deseja.   

Letra M (Número 13).  Letra de conforto e calor, como quando se canta um acalanto para adormecer uma criança. A última letra do mantra OM, ou seja, a parte feminina de Deus; e também a primeira letra do mantra MA, ou seja, a estrutura do mantra da Deusa.

Letra N (Número 14).  O som da letra N é ao mesmo tempo relaxado e tenso, pois é similar ao som da letra M, ainda que em M a língua repouse na boca, enquanto que em N a língua pressiona os dentes – a língua deve estar tensa para pronunciar o som de N.

Letra O (Número 15).  O som quente e envolvente desta letra pode lembrar uma cantiga de ninar (quando se trata de um O denso, como em “avô”, “cores” etc.) ou, ao contrário, uma atenção e cuidado severos (como é o caso de letras O abertas como em “hora”, “sol” etc). Pode soar como U. 

Letra P (Número 16).  Esta letra tem o som de um impacto, que pode ser um tapa, uma pancada ou algo similar. É uma letra forte que representa as implicações psicológicas internas de um evento externo que faz por derrubar estruturas.

Letra Q (Número 17).  O som produzido pelas letras Q, C e K é às vezes o mesmo. Q é o aspecto mais pesado deste som, e seu formato redonda lembra um número 0, apesar de apoiado num suporte – o que o impede de rolar como o número 0. Uma visão pronta do infinito: contradição e a busca pela lógica.

Letra R (Número 18). Um som rude e um tanto agressivo que lembra um rosnado, o som da letra R representa uma energia fluente e intensa que de repente fica cega. A explosão desta energia pode trazer os mais variados resultados.

Letra S (Número 19).  O som desta letra evoca o sibilar de uma serpente, um sinal sinuoso de suspeita e perigo. O som de um gás escapando lentamente de uma tampa ou vedação, e o som aéreo que pode se transformar em manifestação temível.

Letra T (Número 20).  Este som de percussão é como o som da batida de um coração, o som dos tambores e do ritmo da vida – como o coração da mãe que bate em harmonia com o coração de seu bebê. O formato desta letra é o de uma cruz.

Letra U (Número 21).  O som de um uivo, de desaprovação ou ainda de grande energia e comunicação: a capacidade de expressar a própria alma ao máximo, a manifestação da besta interior através da voz da juventude.

Letra V (Número 22). Tradicionalmente associada ao ar, pois sua pronúncia produz o som e o movimento do vento. A letra V produz um som tenso, ainda que o ar elimine a pressão. A tensão de 22 pode ser a condutora da transmutação que ocorre após a meditação.

Letra W (Número 23).  Esta letra pode soar tanto como uma consoante ou uma vogal, o que indica um caráter duplo – o próprio nome da letra em inglês (double u, ou seja, duplo u) enfatiza esta natureza dual. Pode soar como V ou como U.

Letra X (Número 24).  O formato desta letra – bem como no caso da letra T – é o formato de uma cruz, ainda que não em sua posição tradicional. Seu som varia, podendo ser impactante como na palavra sexo, por exemplo, ou penetrante como em Z ou S, com simbolismo permeado de alusões a prazer e sofrimento, frequentemente misturados de uma só vez.

Letra Y (Número 25).  Esta é uma espécie de variante da letra I, e seu formato de garfo sugere ambiguidade e agressividade. É uma letra angulosa, incisiva e ao mesmo tempo elegantemente singular.   


Letra Z (Número 26).  Esta letra, a última em nosso alfabeto ocidental, tem o som de um zumbido, que pode vir de abelhas, de uma máquina ou devido a alucinações auditivas. Pode representar algo enervante, mas também algo relacionado a insetos trabalhando vigorosamente em um ambiente ensolarado – como as abelhas. Pode implicar grande perigo, já que as abelhas produzem mel, mas podem atacar e até matar.

Texto de Johann Heyss. Não reproduza sem mencionar o autor e o blog.

24 de ago de 2010

Introdução de "O Que é Numerologia"

Em 2003 publiquei "O Que é Numerologia", uma versão revista e ampliada de "Iniciação à Numerologia", cuja introdução reproduzo abaixo.
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 Caros leitores, 

Apresentar a numerologia de maneira sucinta é uma tarefa difícil, já que envolve uma série de esclarecimentos que muitas vezes vão de encontro ao estabelecido sobre esta técnica no imaginário popular. Por isso, gosto de iniciar meus livros – este é o terceiro que escrevo sobre o assunto – chamando a atenção para certos pontos. 

 Primeiro, os estudantes de numerologia devem ter em mente que a numerologia não é um sistema mais mágico do que a medicina, a psicologia, a meteorologia ou qualquer outro conhecimento que ofereça auxílio dentro de um certo padrão pré-estabelecido. Ou seja, todo conhecimento que vem sendo acumulado pelo homem é pura magia, já que o ser humano conseguiu e consegue alargar as possibilidades da imaginação através da conquista tecnológica: todos os avanços são fruto de um processo de criação mental (concepção do que virá a ser criado), comunicação (planejamento do produto) e realização final. A magia nunca foi fonte de criação de absurdos: as antigas lendas de monstros e fenômenos inexplicáveis mais e mais se revelam como erros de interpretação ou de tradução, ou simplesmente referências a seres e fenômenos não descobertos em tempos antigos. Isto faz, por exemplo, com que uma lula gigante tenha sido considerada lenda até recentemente, quando pesquisadores descobriram a existência de tais moluscos superdesenvolvidos. Portanto, quando digo que a numerologia não é um sistema “mais mágico” que outros, quero ressaltar que um médico trata o doente, mas não pode evitar indeterminadamente a morte; a psicologia trata as neuroses e distúrbios mentais/emocionais, mas não pode garantir a cura; a meteorologia analisa as condições atmosféricas através de satélites e outros instrumentos, mas não é e nem se propõe a ser um oráculo infalível de previsão do tempo – e assim é com os conhecimentos científicos, filosóficos, artísticos e todas as outras formas derivadas da criação mental humana. 

 Estando isto claro, o estudante pode facilmente compreender o objetivo real da numerologia, que é mostrar um panorama dos potenciais de personalidade e de destino, de forma imparcial e elucidativa. São sublinhados qualidades-chave e desequilíbrios que possam funcionar como um calcanhar-de-aquiles, e todo problema apresentado traz em si mesmo uma solução – alguns mapas podem ser como um labirinto, mas nunca são sem saída. 

 Venho estudando, testando, usando, ensinando e trabalhando com numerologia há quatorze anos, e já passei por várias fases em todo este processo. Mas posso extrair uma essência: o sistema de numerologia apresentado neste livro funciona de fato. Posso dizer isto após mais de duas mil consultas de mapas que sempre encontraram ressonância e familiaridade nas pessoas analisadas, bem como os estudos de mapas de personalidades públicas[1].

 Sempre tive tendências céticas, e até parte da minha adolescência encarava com cínica ironia coisas como religião, ocultismo, etc. A mudança de ponto de vista se deu não através da numerologia, mas através do I-Ching: tinha 16 anos quando adquiri, por curiosidade, uma coleção de fascículos de banca de jornal que trazia um pequeno oráculo I-Ching na forma de dois dados hexagonais, um azul e outro vermelho. Ao consultar o oráculo pela primeira vez, recebi como resposta algo que não me agradou (Arcano 41, Sun, A Perda). Numa atitude arrogante e infantil, joguei os dados de novo, esperando que viesse assim a “resposta certa”. Qual não foi meu estupor ao ter como resposta o Arcano 4, Meng, A Inexperiência, que dizia, entre outras coisas, que eu era jovem e inexperiente demais, e que “o oráculo responde a uma pergunta apenas e somente uma vez, insistir é ser inoportuno”. Foi a partir de então que considerei que algo havia naquilo, e comecei, naturalmente, a investigar as mais variadas disciplinas esotéricas. A numerologia acabou sendo objeto de meu especial interesse devido a uma imensa precisão de suas técnicas de análise aliada a uma enorme facilidade de cálculos. Eu manifestei também interesse em tarô – com o qual até hoje trabalho, particularmente o Tarô de Thoth – bem como em muitos outros sistemas, mas nenhum deles se mostrou tão objetivo, preciso e prático quanto a numerologia. 

 Escrevi, baseado na minha experiência, um primeiro livro após quatro anos de estudo e mais seis de prática, “Iniciação à Numerologia”, cujo objetivo era apresentar um sumário das técnicas utilizadas até então, lançando mão do mapa numerológico de John Lennon como exemplo do modo de cálculo e interpretação. Nesta época, 1996, poucos livros no mercado internacional — e praticamente nenhum no mercado brasileiro — davam atenção à questão dos números compostos[2], ou número de origem, que sempre considerei essenciais para plena assimilação dos arquétipos que formam cada personalidade individual. 

 Este mesmo livro foi lançado nos EUA e Alemanha, mas já em versão revisada e atualizada por mim quando verti o original em português para o inglês — sendo algo dinâmico, como todo conhecimento e ciência, a numerologia pode e deve manter um ritmo contínuo de atualização e desenvolvimento, e jamais se cristalizar em dogmas que a transformem em superstição e, portanto, em ignorância. Sendo assim, atualizar, reescrever e acrescentar tópicos acabou por gerar um outro livro, que é este em suas mãos — e que acaba de ser lançado na França em sua versão revista e ampliada. 

 As páginas seguintes foram elaboradas com a intenção de auxiliar no autoconhecimento, jamais para propagar paranóias relacionadas a um futuro pré-estabelecido ou possíveis tendências aziagas. Estudos científicos modernos vêm cada vez mais provando que não há verdade absoluta, mas sim verdades compatíveis com o grau de assimilação de cada indivíduo, cada cultura, cada época. Por isso os símbolos — como os números — podem gerar diferentes interpretações e ainda assim permanecerem os mesmos em sua essência: cada pessoa apreende o que pode. Há premissas, há métodos, mas a ciência de hoje já desmentiu inúmeras verdades absolutas do passado, e o futuro há de trazer a queda de parte das verdades absolutas de agora. Por isso encorajo os estudantes a encararem sempre a numerologia, como a tudo, como um conhecimento em desenvolvimento. Citando duplamente o físico dinamarquês Niels Bohr, vencedor do prêmio Nobel de física em 1922: “O oposto de um enunciado correto é um enunciado falso. Mas o oposto de uma verdade profunda pode ser outra verdade profunda”, e “Tudo o que eu digo deve ser entendido não como uma afirmação, mas como uma pergunta”. Tomo emprestadas estas sábias palavras. 


Johann Heyss 

Rio de Janeiro, Inverno de 2003

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[1] Ver Capítulo 3 e o mapa de John Lennon. 


[2] Ver Capítulo 1, “Os Números e Suas Personalidades”. 



23 de ago de 2010

Aleister Crowley - A Biografia de um Mago - Capítulo 1

Acabo de subir no Scrib Aleister Crowley - A Biografia de um Mago - Capítulo 1. Divirtam-se com os primeiros passos da Besta 666...


Download aqui

22 de ago de 2010

O ORÁCULO DOS NÚMEROS - Prefácio de Waldemar Falcão

Johann Heyss é certamente um dos mais competentes e preparados numerólogos brasileiros dos últimos tempos. Seu profundo domínio deste conhecimento, ao mesmo tempo tão ancestral e tão atual, faz com que ele seja o autor ideal para ter a ousadia de criar uma nova forma de se lidar com a numerologia, atribuindo-lhe essa função oracular inédita, por meio de textos que explicam de maneira direta e transparente o significado das combinações numéricas possíveis. Só mesmo alguém com a bagagem de Johann poderia elaborar este sistema único de utilização dos principais arquétipos do saber numerológico e transformá-lo em um instrumento de fácil compreensão como foi feito neste “Oráculo dos Números”. 

   Os oráculos têm uma importância e um lugar especial na nossa vida, principalmente quando buscamos a melhor compreensão de uma determinada situação por que passamos em um dado momento e a melhor forma de agir em cada uma das situações que o universo nos apresenta. São os oráculos que melhor esclarecem uma dúvida circunstancial, uma pergunta voltada para um propósito específico, uma questão formulada com a intenção de se saber a melhor direção a seguir, a melhor atitude a tomar. O autor explica esta utilidade específica do oráculo logo na abertura deste livro, com a clareza e a facilidade de compreensão que caracterizam sua maneira de escrever. 

   Para tentar ajudar nesta compreensão, basta que nos lembremos de alguns outros oráculos mais conhecidos e apreciados, entre os quais poderíamos mencionar o mais antigo e tradicional de todos eles, o I Ching, além do complexo e fascinante sistema binário do Jogo de Búzios trazido da tradição africana, e do Jogo das Runas da tradição européia nórdica, todos eles já incorporados ao nosso dia-a-dia, uns mais, outros menos.

   A forma que Johann Heyss encontrou para estruturar as diferentes seções do seu “Oráculo dos Números” reflete mais uma vez o seu preparo e a sua capacidade intelectual no campo da numerologia: dividindo as respostas possíveis em cinco áreas principais de interesse da natureza humana — Trabalho, Amor, Família e amizades, Saúde e Conselho geral —, o autor facilita para o consulente a utilização do potencial de aconselhamento que se encontra no seu trabalho. É muito simples aprender a jogar os dados numéricos e a saber como direcionar o foco das nossas perguntas na direção daquilo que estamos buscando.

   E finalmente, ao utilizar este livro da maneira sugerida pelo autor, podemos nos permitir especular que temos o privilégio histórico de assistir ao surgimento de um novo clássico da literatura esotérica no que diz respeito aos sistemas oraculares, e imaginar que este trabalho se perpetuará pelos milênios afora como vem fazendo o já citado I Ching.

   “O Oráculo dos Números” é um livro plenamente adequado aos tempos modernos e velozes do século XXI e também uma obra perene que já nasce clássica, na sua simplicidade de utilização e compreensão e na abrangência de suas respostas práticas, diretas e profundas.


http://www.waldemarfalcao.com.br/


20 de ago de 2010

Pra quem não faz ideia do que quer dizer esse papo de numerologia (1)






Tem gente que me conhece apenas através das minhas traduções, ou da minha música, ou das matérias que escrevi para revistas. Não devem entender nada desse papo de numerologia aqui no blog. É para elas, e para quem não faz muita ideia do que seja numerologia, que reproduzo aqui um texto antigo meu, devidamente repaginado. Aliás, devo dizer: como é duro reler textos antigos. Hoje em dia acho tudo muito mal escrito. Mas pelo menos estou tendo a chance de dar uma polida nos textos ao publicá-los neste blog.
   Então vamos ao papo numerológico.
  Uma das formas de se tentar compreender do mundo é tentando compreender as pessoas – não necessariamente concordando com elas, nem explicando-as, mas apreendendo sua natureza. O mapa numerológico é uma ferramenta que facilita essa compreensão. É uma técnica simples, mas profunda. A única informação necessária para a composição do mapa é seu nome original completo e sua data de nascimento. Estes dados serão usados para os cálculos. Não precisa ficar com medo de cálculos complicados, porque, como acho que já mencionei e mencionarei ainda várias vezes, odeio cálculos matemáticos! É realmente irônico que eu tenha me aprofundado tanto na prática e no estudo da numerologia.
   Enfim, cada combinação numérica reflete determinado aspecto de sua personalidade e mostra uma energia arquetípica que é a raiz da personalidade. Seu nome reflete seu eu, enquanto a data de nascimento revela como vive este eu. O nome completo original funciona como uma espécie de “rótulo”. Portanto, a investigação do simbolismo do nome desvela o dono deste nome.
   Da mesma forma, a data de nascimento simboliza o começo da jornada, e como o resto da mesma será afetado. Repare que esta informação não simboliza um destino fixo, pois sempre há um elemento imprevisível na vida (livre-arbítrio), e não devemos desconsiderar isto. Por outro lado, ao conhecer os números podemos também observar uma alma da mesma forma que observamos um rosto numa foto.
   A primeira distinção numérica que podemos fazer é entre os grupos positivo/masculino e negativo/feminino. Isto não tem nada a ver com melhor ou pior, nem com sexualidade. Implica apenas polaridade, sendo que números ímpares são sempre viris e agressivos de maneiras distintas, enquanto que os números pares trazem sutileza e delicadeza, cada um a seu modo. Além disso, quando somamos um número ímpar e outro par, o resultado será sempre ímpar, da mesma forma que dois números pares somados produzirão outro número par. Isto mostra claramente como os números ímpares são dominadores, sempre se impondo sobre os pares; e também como os números pares são defensivos, parecem proteger seus semelhantes em um círculo. 
   Vamos começar pelos números elementares: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9. Estes não podem ser reduzidos; eles representam arquétipos essenciais, a manifestação básica da personalidade ou da situação. Todos os outros números (exceto 11 e 22, por razões que veremos adiante) podem ser reduzidos desta forma. Por exemplo: 18 = 1+8 = 9. Esta é uma forma simplificada de um método criado por Pitágoras para entender a essência de um número.   
   Os números mestres são 11 e 22. Não podemos reduzi-los porque eles representam as exceções a toda regra, portanto são ligados a situações e pessoas invulgares.
   Devemos ter em mente que um número composto é a base que influencia o número básico. Os números compostos são a “mãe” e o “pai” dos quais o número elementar, ou básico, herda suas características peculiares. Por exemplo, 6 é sempre 6, mas dependendo dos números que o compõem, algumas características ficam mais fortes que outras. Um 6 que é composto de 15 é sempre mais apaixonado, forte, e menos quieto – características do “pai” 1 e da “mãe” 5, que estimulam o lado violento das paixões. Um 6 que vem de 24 é o mais fraco de todos, pois os aspectos yin de 6 são reforçados por 2 e 4, resultando em um número 6 enfraquecido pela falta de energia yang. O número 33, um 6 “especial”, indica, como no caso dos números mestres, tanto iluminação quanto demência (repare que 33 não é um número mestre, mas exibe a mesma corrente de energia dupla encontrada em números mestres).
   O número elementar é o arquétipo, e o número composto mostra a tendência deste arquétipo. A lista a seguir fornece alguns exemplos breves de como os números de origem influenciam os números elementares:
  • é o líder, mas o número 10 tende a um estilo paternal de liderança, enquanto 19 já tende mais ao autoritarismo e 28 busca a perfeição;
  • é o cooperador, mas 20 tende a cooperar em nível mais alto, mais espiritual;
  • 3 é o comunicador, mas 12 tem dificuldade em se expressar; 21 luta contra a ansiedade em se expressar, enquanto 30 se comunica sem maiores esforços;
  • 4 é o organizador, mas 13 tende a exceder as regras, enquanto 31 as cria;
  • 5 é o rebelde, mas 14 tende a reprimir a rebelião de 5; 23 tende a ações e palavras inflamadas e 32 encontra o equilíbrio através da liberdade;
  • 6 é emoção; 15 tende a emoções fortes; 24 a emoções que enfraquecem; e 33 cai entre estes extremos;
  • 7 é o intelecto, mas 16 tende à destruição, enquanto que 25 tende à construção;
  • 8 representa preocupações e circunstâncias materiais; 17 inclina-se a um temperamento esperançoso, enquanto 26 tende à fragilidade e ao pessimismo;
  • 9 é liberdade e movimento, mas 18 tende a evitar caminhos que levem a emoções intensas. 27 costuma investigar o mundo interno, enquanto 36 busca o mundo externo;
  • 11 é o aspecto yang da espiritualidade, mas 29 aborda-a de forma mais “convencional”, e 38 de um jeito mais “material”;
  • 22 é aspecto yin da espiritualidade, e é composto de números maiores que 100, o que faz a influência mais complexa, mais apropriada para um estudo mais aprofundado.
   Se você não presta atenção ao processo de formação de um número (o que é visível nos número compostos), não pode realmente dizer que compreende o símbolo e como funciona. Por exemplo, água é sempre água, mas pode ser filtrada ou não, pode ser água do mar, da lama, do rio, destilada, gelo – tudo água, ainda que todas diferentes formas de H2O.
   Você também pode assimilar o que um número representa se prestar atenção ao seu comportamento matemático, se é divisível ou não, e com quais números e em quais circunstâncias, etc. Só podemos entender as combinações se entendermos primeiro o significado dos números elementares.
   Quando calculamos um mapa numerológico, transformamos as letras do nome em números. A lógica desta associação vem da idéia de que a mesma energia, ou princípio, aparece em diferentes mundos: o mesmo princípio de A seria 1, por que são ambos os primeiros de seus sistemas. Realmente, o Sol é o primeiro líder do sistema solar, então o Sol, ou “A” é número 1, e assim por diante. Em tempos antigos, não havia diferença entre química e alquimia, astronomia e astrologia, matemática e numerologia, sagrado e profano, e da mesma forma, não havia diferença entre letras e números. Ë por isso que o hebraico e o grego são alfabetos compostos de letras que também são números. Assim, a numerologia seria uma espécie de Gematria para os tempos modernos, por mais estranho que possa soar esta definição.   

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   Mais uma vez, concentramo-nos nos números elementares quando atribuímos valores para as letras. Mas não se esqueça de que A, J e S são todos formas distintas do número 1. E há diferenças entre 1, 10 e 19. Por isso A é mais brilhante, J é mais sutil e S é mais forte – todos formas de 1 em suas similaridades e contrastes.


   Texto de Johann Heyss. Não reproduza sem mencionar o autor e o blog.

18 de ago de 2010

Ano Pessoal 4 - Parte 1

Nesta sexta-feira começa meu Ano Pessoal 4. Mas os efeitos, desejáveis e indesejáveis, já estão dizendo "oi, tudo bem" e mostrando a que vieram.
   O número 4, além de ser meu número de Síntese, rege o meu ano que começa nesta sexta e termina um ano depois. 4 é certeza de limites, trabalho, burocracia, obras, documentos. Resultado: estou trabalhando em três livros ao mesmo tempo; em dois discos; descobriram um vazamento vindo do meu apartamento e começaram uma obra no banheiro dos fundos hoje; os caras da prefeitura que deviam ter me ajudado a tirar meu CNPJ como autônomo me fizeram o favor de aprovar um pedido que não fiz para virar microempresa, de modo que estou tendo que lidar com a burocracia; e hoje clonaram um de meus cartões de crédito, o que me fez passar parte da tarde envolto com procedimentos para cancelar compras de passagens para a Rússia, entre outros quetais. Benvindo, ano 4! ;-)

Texto de Johann Heyss. Não reproduza sem mencionar o autor e o blog.

17 de ago de 2010

O Oráculo dos Números

O Oráculo dos Números foi uma daquelas ideias tipo "ovo de Colombo"que às vezes a gente tem. Se as pessoas usam todo tipo de coisa como oráculos -- borra de café, búzios, pedras com símbolos (runas) etc., por que não usar simplesmente os números como oráculos? Por que não extrair dos números, apenas, as respostas e insights para ligar o lado intuitivo de nossos cérebros?
   Para isso basta escrever ou imprimir os números, cortá-los ou rasgá-los em pedaços individuais, buscar a pergunta dentro de si e tirar um número, como se faz em um bingo.
   Cada número tem uma mensagem. E não é difícil decifrá-la.
 O livro que estou lançando, na verdade um livreto bem simples chamado O ORÁCULO DOS NÚMEROS, apresenta alguns princípios básicos para uso do oráculos, sugestões de interpretação para cada número nas áreas essenciais da vida humana (trabalho, amor, família e amizades, saúde e conselho geral), e traz os números acima em cartolina destacável.
   A ideia é que depois de um certo tempo o Oráculo dos Números seja interiorizado a ponto de a pessoa não precisar mais nem de papel e caneta, necessariamente, para conseguir extrair o número que traz a mensagem que busca. Há incontáveis maneiras alternativas de se conseguir um número, como cito no post anterior.
   O Oráculo dos Números está nas livrarias e pode ser encomendado também por aqui. O livro conta com um belo prefácio do meu amigo Waldemar Falcão.


 A revista Bons Fluidos publicou uma matéria muito elucidativa sobre o Oráculo dos Números (leia AQUI